Israel provoca pequeno sismo ao destruir túneis no Líbano

Os jornalistas da agência France-Presse (AFP) presentes na região ouviram várias detonações. Num vídeo partilhado pelo ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, é possível ver uma enorme bola de fogo a subir em direção ao céu durante a noite.

"O exército israelita destruiu hoje a infraestrutura subterrânea da organização terrorista Hezbollah na crista de Ali Taher, concluindo assim o estabelecimento da zona de segurança no sul do Líbano", referiram o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, e Katz em comunicado.

"Trata-se de uma infraestrutura terrorista estratégica construída ao longo de duas décadas, com financiamento e planeamento iranianos", acrescentaram.

A explosão foi de tal forma potente que a agência norte-americana de sismologia (USGS, na sigla em inglês), referência mundial na deteção de sismos, registou um tremor de magnitude 4,1 ocorrido às 19:00 (hora de Lisboa) na região de Nabatiyeh, onde se situa a crista de Ali Taher.

Este tremor, equivalente a um pequeno sismo, foi sentido por muitos habitantes do sul do Líbano.

No Líbano, a Agência Nacional de Informação (ANI, oficial) reportou uma operação de detonação executada pelas forças israelitas no setor de Ali al-Taher.

O exército israelita tinha anunciado, na semana passada, a tomada desta zona, situada a norte do rio Litani e situada na orla da zona ocupada por Israel no sul do Líbano.

Israel afirma que o Hezbollah tinha escavado túneis neste setor, permitindo-lhe lançar drones e mísseis contra posições militares israelitas no sul do Líbano, bem como contra o norte de Israel, do outro lado da fronteira.

O Hezbollah arrastou o Líbano para a guerra regional em março, em solidariedade com o Irão, mas a violência diminuiu de intensidade após o entendimento entre o Irão e os Estados Unidos em junho, em paralelo com um acordo entre o Líbano e Israel.

Durante as negociações entre o Líbano e Israel, os Estados Unidos, mediadores das conversações, propuseram que o exército libanês assumisse o controlo da cordilheira de Ali Taher, mas o Hezbollah recusou, segundo adiantou à AFP uma fonte próxima dos negociadores.