"Qualquer medida que possa fortalecer as Forças Armadas libanesas e facilitar o plano de retirada de Israel do sul do Líbano é um passo na direção certa, desde que seja feita com seriedade", afirmou Joshua Zarka.
O diplomata respondia a uma questão dos jornalistas sobre a realização de uma reunião preparatória que terá lugar em Paris, antes de uma conferência internacional de apoio ao exército libanês, como forma de garantir a segurança do país face às milícias do grupo xiita Hezbollah, aliado do Irão.
"Estamos cansados de grandes declarações que não se traduzem em ações", observou o embaixador israelita, reforçando que "é absolutamente essencial reforçar as Forças Armadas libanesas e impedir que o Hezbollah prejudique Israel".
Uma reunião preliminar para uma conferência internacional de apoio ao exército libanês será realizada em 17 de setembro na capital francesa, anunciou a presidência libanesa no mês passado.
Comandantes militares de vários países, representantes de governos, especialistas e organizações internacionais são esperados nesta reunião, segundo a presidência libanesa.
A data da conferência internacional, inicialmente prevista para o passado mês de março em Paris, ainda não foi anunciada.
O encontro foi adiado por tempo indeterminado depois de o Hezbollah ter arrastado o Líbano para a guerra no Médio Oriente, atacando Israel em apoio do Irão, poucos dias após o início da ofensiva israelo-americana contra a República Islâmica em 28 de fevereiro.
O Líbano já recebeu promessas de apoio ao seu exército, que foi incumbido pelo Governo de levar a cabo o desarmamento das milícias do Hezbollah, que Israel coloca como condição para abandonar as suas posições militares no sul do país.
As forças libanesas, com baixos salários, enfrentam desafios significativos relacionados com a falta de equipamento, pessoal e capacidade técnica necessária para cumprir a sua missão.
Questionado sobre a relação entre França e Israel, que atingiu o seu ponto mais baixo há um ano, depois de Paris ter anunciado o reconhecimento do Estado palestiniano, o embaixador israelita afirmou que os dois países estão no caminho da reconciliação.
"Há um desejo genuíno de melhorar as relações a todos os níveis", disse Joshua Zarka aos jornalistas, acrescentando que, apesar de terem sido "cometidos erros, é possível um regresso à normalidade" nas relações entre Israel e França, que têm respetivamente eleições legislativas no próximo mês de outubro e presidenciais em 2027.
Apesar do cessar-fogo acordado entre as autoridades de Beirute e Telavive, as forças israelitas realizaram novos ataques aéreos contra o sul do Líbano na quarta-feira, alegadamente em resposta ao lançamento de dois drones pelo Hezbollah contra as suas tropas estacionada no país.
No passado dia 28 de agosto, a Força Interina das Nações Unidas no Líbano (FINUL) alertou que a situação no sul do país "continua frágil", depois de ter registado mais de mil projéteis lançados em apenas sete dias.
A atividade militar israelita no sul do Líbano aumentou significativamente durante a primeira quinzena de agosto, apesar do diálogo entre Israel e o Líbano para consolidar o acordo-quadro alcançado no final de junho com a mediação dos Estados Unidos.
As negociações entre Beirute e Telavive para pôr fim à guerra não têm ainda data marcada para a nova ronda de diálogo, após um acordo para a criação de zonas piloto no sul do Líbano, que visa substituir as tropas ocupantes israelitas por militares do exército regular libanês.
No entanto, como medida enquadrada pelas conversações de paz com Beirute, o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, confirmou hoje a libertação de cinco prisioneiros libaneses, esperando o repatriamento de líderes da comunidade judaica falecidos no país vizinho na década de 1980.
O Hezbollah não participa e condena as conversações diretas com Israel.
Em resposta aos ataques aéreos do Hezbollah desde o início de março, Israel respondeu com bombardeamentos intensivos e expandiu as posições militares que já mantinha no sul do Líbano desde o conflito anterior, provocando mais de 4.300 mortes e deixando acima de um milhão de deslocados, segundo as autoridades de Beirute.
As partes tinham estado em confronto no seguimento da guerra na Faixa de Gaza, entre outubro de 2023 e novembro de 2024, data de um cessar-fogo nunca verdadeiramente respeitado e interrompido com o início do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irão.
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