José Luís Carneiro garante que o PS, acima de tudo, quer contribuir para a estabilidade do país, mas isso não significa que viabilize o OE27.
Em entrevista ao programa da Antena 1, Política com Assinatura, o líder socialista avisa Montenegro: "o primeiro ministro deve ter consciência de que só nos pronunciaremos em concreto sobre o OE após o cumprimento da sua palavra em relação a estas matérias e depois de avaliarmos a proposta de Orçamento".
Carneiro refere-se àquilo que considera essencial para viabilizar o Orçamento: a revisão constitucional, a Segurança Social, os investimentos pós-Plano de Recuperação e Resiliência e os apoios às vítimas das tempestades.
"O Governo... já vi que está a procurar um bode expiatório porque o Governo desbaratou um saldo orçamental superior a 3 mil milhões de euros com políticas facilitistas e agora é evidente que tem mais dificuldades para responder a um momento de maior dificuldade", atira José Luís Carneiro que faz ainda outro aviso: "se o Governo falhar nos seus deveres de contas públicas certas e sustentáveis não irá atirar a responsabilidade ao PS, porque já dei orientações políticas ao grupo parlamentar de que qualquer proposta que venha a ser apresentada em sede de orçamento não pode colocar em causa a sustentabilidade das finanças públicas ".
Assim sendo "estamos a falar de abstenção". E pergunta a editora de política da Antena 1, Natália Carvalho: "fora de questão aprovar com voto favorável?". "Com certeza", assegura Carneiro.
Eleições? "Pode vir a acontecer"
"A minha intuição política é que as pessoas, para já, preferem a estabilidade". É nisto que acredita José Luís Carneiro ainda que assuma que "chegará uma altura em que os portugueses olharão para as circunstâncias políticas e, entre ter a estabilidade com um Governo que não governa e que não responde aos seus problemas, ou ter eleições (...), eu não gostaria, mas pode vir a acontecer".
Ainda que afaste, para já, eleições antecipadas, o líder socialista admite que "estou disponível para servir Portugal quando chegar o momento de servir Portugal".
E vai mais longe: "se o Governo continuar neste registo de falhar às pessoas...". A jornalista interrompe e pergunta "admite apresentar uma moção de censura?". "Não, admitimos é que não estaremos com o mesmo espírito quando estivermos a discutir o futuro orçamento do Estado".