Embaixadores Mirins Pop Ciência: Jovens da PB são selecionados | G1

Uma terceira selecionada teve apenas o primeiro nome, Ana, divulgado, o g1 não conseguiu contato com ela.

Criado em 2024, o programa Embaixadores Mirins reconhece crianças e adolescentes que desenvolvem ou compartilham experimentos, conteúdos e outras ações de divulgação científica. A proposta é estimular o interesse pela ciência e formar jovens capazes de levar esse conhecimento para outros estudantes, mostrando que a ciência também pode ser aprendida de forma prática, criativa e acessível.

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“Eu sempre gostei de ciência, desde bem pequeno”

João Cícero já acumula mais de 30 medalhas conquistadas em olimpíadas de robótica, matemática e outras áreas, além de participar de atividades de divulgação científica. — Foto: Arquivo Pessoal/Chislene Oliveira

Aos 12 anos, João Cícero já acumula mais de 30 medalhas conquistadas em olimpíadas de robótica, matemática e outras áreas, além de participar de atividades de divulgação científica. Aluno do 7º ano, ele conta que o interesse pela ciência surgiu ainda na infância, com experimentos realizados em casa ao lado dos pais.

Entre as experiências, ele cita o tradicional vulcão feito com bicarbonato de sódio e vinagre e até a construção de um foguete em que era possível entrar. Aos 9 anos, começou a participar de olimpíadas científicas.

A rotina do estudante inclui aulas pela manhã e, à tarde, atividades extracurriculares, como natação, tênis de mesa e preparação para competições. João também organiza, com um colega, revisões para outros estudantes da escola.

Segundo ele, colegas e familiares também recorrem à ajuda dele quando precisam desenvolver projetos. Um dos exemplos foi o auxílio a um primo que mora em São Paulo na construção de um carrinho com materiais recicláveis.

A seleção para o Prêmio Pop Ciência, segundo João, não ocorreu por causa de um único projeto. Ele apresentou um portfólio com palestras realizadas em escolas, oficinas de foguetes, conteúdos sobre astronomia e astronáutica, além de certificados obtidos em olimpíadas científicas.

João Cícero tem 12 anos, e é um dos Embaixadores Mirins do MCTI, na Paraíba — Foto: Arquivo Pessoal/Chislene Oliveira

“Ser embaixador Mirim Pop Ciência é uma honra e uma oportunidade de levar ciências até mais crianças, dividir meus conhecimentos e divulgar ciência aqui na Paraíba.”

Para o estudante, a ciência pode estar presente em atividades que fazem parte do cotidiano, e deixa uma reflexão para outras crianças que não gostam muito da área.

“Você gosta de saber como é o universo? Como as coisas funcionam? Gosta de tecnologia? Então você gosta de ciências e nem sabe.”

João afirma que tem interesse principalmente por astronomia, astronáutica e matemática e pretende seguir carreira como engenheiro aeroespacial.

A mãe dele, Chislene, acompanha a trajetória do filho e participa da organização das palestras e atividades. Para ela, as conquistas acadêmicas são motivo de orgulho, mas o desenvolvimento pessoal do estudante tem um significado ainda maior.

“Nada supera ver ele crescendo sendo uma pessoa generosa, gentil. Ele gosta de estudar e gosta de ensinar, mas é um menino que ainda brinca no pula-pula.”

Chislene também destaca uma experiência do filho em um clube de ciências, onde aprendeu a participar de uma iniciativa de caça a asteroides. Depois, João formou uma equipe com colegas da escola e ensinou os estudantes a utilizar o programa.

Kaio quer levar ciência para outras escolas

Kaio Rafael da Silva Araújo, de 16 anos, é aluno do 2º ano do curso técnico de Informática da ECIT Jornalista José Itamar da Rocha Cândido, em Nova Floresta. — Foto: Arquivo Pessoal/Kaio Rafael

Outro paraibano selecionado é Kaio Rafael da Silva Araújo, de 16 anos. Ele é aluno do 2º ano do curso técnico de Informática da ECIT Jornalista José Itamar da Rocha Cândido, em Nova Floresta.

Vindo de uma família de educadores, o estudante desenvolve projetos científicos e participa de competições e programas de formação na área de tecnologia. Entre os trabalhos apresentados no portfólio está o Arbotech, projeto voltado ao combate às arboviroses no município de Cuité.

A proposta utiliza uma armadilha tecnológica e uma plataforma para visualização, em tempo real, dos dados coletados, com o objetivo de contribuir para ações de prevenção e combate às doenças.

Kaio também participou de competições internacionais. Segundo ele, ficou entre os 20% melhores alunos do mundo em uma competição internacional de química e participou da Olimpíada Internacional de Matemática e do Conhecimento.

Outra experiência foi a participação no AFS Global STEM Innovators, para o qual recebeu uma bolsa integral entre 50 estudantes selecionados em todo o Brasil.

A escolha como embaixador mirim representa, para Kaio, uma oportunidade de ampliar as ações de divulgação científica que já desenvolve na escola.

O estudante pretende atuar em projetos como a FICA (Feira de Inovação e Ciências da Caatinga) e o STEAM itinerante, iniciativa que leva atividades relacionadas a ciência, tecnologia, engenharia, artes e matemática para outras escolas.

“A ciência é para todos. E eu estou disposto a levar essa bandeira comigo até o último dia em que eu optar.”

Estímulo a outros estudantes

Kaio Rafael, de 16 anos, é natural de Nova Floresta, na Paraíba — Foto: Arquivo Pessoal/Kaio Rafael

Kaio também participa do Laboratório de Inovação e Protagonismo Estudantil (LIPE), espaço criado na escola para estimular o protagonismo dos estudantes e o desenvolvimento de projetos.

Para ele, o interesse pela ciência está ligado à curiosidade e à vontade de compreender fenômenos que estão além do conteúdo tradicional da sala de aula.

“Buscar ciência não é apenas querer ser cientista, mas fazer a diferença e deixar a nossa marca.”

A rotina, no entanto, exige conciliação entre estudos, projetos, exercícios e outras atividades. O estudante afirma que o processo nem sempre é fácil, mas atribui parte dos resultados à disciplina e à constância.

“A realização acadêmica, eu acredito que muito disso se dá não por nossa vontade, mas pela constância.”

Kaio pretende cursar Ciência da Computação e considera posteriormente uma formação em Engenharia de Software ou Engenharia da Computação. Apesar de já ter planos para o futuro, afirma que ainda pretende conhecer outras possibilidades ao longo da trajetória acadêmica.

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