Segundo o MPMS, o grupo é suspeito de integrar uma organização criminosa que teria movimentado cerca de R$ 27 milhões. De acordo com a investigação, o esquema usava a estrutura da regulação da saúde pública para influenciar gestores municipais durante negociações de contratos para compra de livros.
Com o recebimento da denúncia, todos os investigados passam a responder formalmente a uma ação penal. Nesta fase, eles terão direito à ampla defesa e ao contraditório, enquanto a Justiça analisa as provas apresentadas pelo Ministério Público.
Operação Gutenberg
Da direita para a esquerda Gabriel Taquino de Paula , Paulo e Douglas de Melo, Eronivaldo da Silva Vasconcelos Júnior, na fileira de cima. Ed Carlo Britto Burgatt, Olívia Jafar e Rossana Paroschi Jafar na fileira de baixo. — Foto: Redes Sociais
A operação foi deflagrada no início de julho e investiga suspeitas de fraude em licitações, corrupção e organização criminosa. Conforme o MPMS, o grupo teria manipulado processos de contratação de materiais paradidáticos em diferentes municípios de Mato Grosso do Sul.
Na denúncia, o Ministério Público aponta que servidores públicos e empresários teriam atuado em conjunto para favorecer empresas nas contratações. A investigação também apura o suposto uso da regulação de vagas e atendimentos na saúde como forma de pressionar ou influenciar prefeitos e gestores municipais durante as negociações.
Os réus negam as irregularidades ou terão oportunidade de apresentar defesa ao longo da ação penal. O processo seguirá com a produção de provas, depoimentos e demais etapas previstas pela Justiça antes de uma eventual sentença.
As investigações são conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco). Segundo o órgão, a Coordenadoria de Regulação do Sistema Único de Saúde (SUS) teria sido usada para pressionar prefeitos a fechar contratos com a editora.
De acordo com a denúncia, vagas em hospitais e exames eram oferecidos como forma de pressionar prefeitos a assinar contratos para a compra de livros paradidáticos. Outro investigado apontado pelo MPMS como um dos chefes do esquema é Heyder Bartz. Ele teve a prisão decretada pela Justiça e continua foragido.
As defesas dos envolvidos negam qualquer irregularidade e afirmam que não houve fraude nas contratações investigadas.
Crimes que os denunciados devem responder:
- Rossana Paroschi Jafar — organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção ativa;
- Rhayane Souza Fanaia — organização criminosa e lavagem de dinheiro;
- Giovanni Paroschi Jafar — organização criminosa e lavagem de dinheiro.
- Olívia Paroschi Jafar — organização criminosa e lavagem de dinheiro;
- Felipe Paroschi Jafar — organização criminosa e lavagem de dinheiro;
- Heyder Bartz — organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção ativa;
- Francisco Anízio dos Santos — organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção ativa;
- Ed Carlo Britto Burgatt — organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção ativa;
- Jessyca Duarte Burgatt — organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção ativa;
- Gabriel Taquino de Paula — organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção ativa;
- Paulo Rogério de Melo — organização criminosa e lavagem de dinheiro;
- Douglas Henrique Melo — organização criminosa e lavagem de dinheiro;
- Matheus Oliveira Peixoto — organização criminosa e lavagem de dinheiro;
- Joatan Gomes Peixoto — organização criminosa e lavagem de dinheiro;
- Eronivaldo da Silva Vasconcelos Junior — organização criminosa e lavagem de dinheiro;
- Valesca Thais Albuquerque Teixeira — organização criminosa e lavagem de dinheiro.
RELEMBRE - Durante a operação realizada na terça-feira em 7 de julho, o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco) foi às ruas para cumprir 16 mandados de prisão e 43 mandados de busca e apreensão. Ao todo, 15 pessoas foram presas em Campo Grande, Dourados e em uma cidade de Goiás. Um investigado continua foragido. Os agentes também apreenderam mais de R$ 70 mil em dinheiro vivo e cheques já preenchidos.
- 🔎 O grupo é apontado como uma sucessão familiar do esquema investigado anteriormente na Operação Lama Asfáltica, mantendo modelos similares de atuação sob o comando de Rossana Paroschi Jafar.