Ladrões invadem suposto imóvel de Milton Leite e levam HD - 21/09/2026 - Cotidiano - Folha

A polícia investiga o furto em um imóvel na noite deste domingo (20) em Santo Amaro, na zona sul de São Paulo. No endereço, foram encontrados documentos e cartões bancários do ex-vereador Milton Leite (União), que está preso desde a sexta-feira (18). A relação dele com o local está sob apuração.

A Polícia Militar foi acionada por uma vizinha por volta das 21h e encontrou a casa na rua General Bráulio Guimarães revirada e danos no portão da garagem, conforme a SSP (Secretaria da Segurança Pública).

Do local, os suspeitos furtaram um equipamento usado para o armazenamento de imagens das câmeras de segurança do circuito interno. O eventual furto de outros itens está em investigação. A reportagem procurou por mensagem a defesa do político na manhã desta segunda-feira (21), mas não teve resposta até o horário de publicação.

Os criminosos não levaram R$ 19.261 em dinheiro vivo, encontrado pela polícia sobre o sofá. Entre os itens apreendidos, há uma carteira contendo quatro cartões bancários e diversos outros documentos em nome do ex-vereador, incluindo uma cópia autenticada de sua CNH e um cartão de sócio do Corinthians.

Além dos pertences pessoais do político, a equipe policial e os peritos recolheram dois sacos plásticos lacrados com listas de nomes e valores.

Conforme o boletim de ocorrência, um advogado esteve no local e declarou que a residência seria de propriedade da empresa Lesimo (Sonda Projetos e Construção LTDA).

Segundo a Junta Comercial paulista, a Lesimo tem Leite entre os cinco sócios, que incluem três empresas. O político aparece na ficha cadastral como administrador e com R$ 180 mil de valor de participação na sociedade.

Os negócios da empresa giram em torno de perfurações e sondagens, além de aluguel, loteamento, compra e venda de imóveis. A ficha aponta o endereço da sede como sendo a avenida do Rio Bonito, em Socorro. Não há menção ao imóvel da rua General Bráulio Guimarães, que fica a 6 quilômetros de distância.

O ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo está preso temporariamente em Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo. Ele se entregou após ser alvo de mandado expedido na Operação Vectura Corrupta.

Deflagrada pela Polícia Civil em conjunto com o Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado), do Ministério Público, a operação apura a infiltração de integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital) em concessionárias do transporte coletivo e fraude em licitações municipais. Investigadores apontam Leite como gestor direto e dono de fato da concessionária Transwolff.

Em manifestação na sexta na delegacia, o advogado Aloísio Lacerda Medeiros, que defende o ex-vereador, negou as acusações. "Milton está tranquilo. Não tem nada a ver com a história", disse.

Antes de se entregar, Leite também negou qualquer elo com a facção criminosa em entrevista por telefone à Folha. "Nego veementemente, não conheço ninguém do PCC nessa vida. A minha relação com o setor foi institucional, a pedido do então prefeito Bruno Covas. Não há nenhuma hipótese de eu ser dono [da Transwolff]", afirmou.

A operação investiga ainda o ex-presidente da SPTrans Levi dos Santos Oliveira e o ex-candidato à Prefeitura de Praia Grande Danilo Marco Morgado Silva (PL).

A apuração aponta que empresas de ônibus teriam passado a ser geridas por integrantes do crime organizado após a obtenção de contratos com o poder público.