O presidente da República lembrou esta segunda-feira que o “elevador social” está “muito aquém da velocidade desejável”. António José Seguro defendeu a necessidade de “repensar a própria escola” em conjunto com professores, alunos e famílias.
“Uma escola não é somente o edifício onde se aprende. É igualmente o lugar onde uma sociedade decide todos os dias que futuro quer oferecer à geração seguinte”, declarou na inauguração da Escola Secundária de Cascais.
“É aqui que começa a nossa responsabilidade”, do Governo, do presidente da República e do Parlamento, enumerou, na presença do primeiro-ministro e do ministro da Educação.
“O sistema educativo está a atravessar uma transformação que nos obriga a repensar a própria escola”, referiu, acrescentando que essa mudança “só pode ser feita com quem todos os dias a constrói: os professores, os alunos, as famílias e todos os profissionais que lhe dão apoio”. O chefe de Estado destacou que o PRR permitiu acelerar a requalificação de muitos estabelecimentos de ensino e concretizar intervenções “há muito necessárias” em diferentes regiões do país.
António José Seguro lembrou que “os resultados do PISA mostram que Portugal tem muito caminho a percorrer” e disse ser preciso “olhar para os resultados com serenidade, mas também com ambição”.
“Temos de garantir que as circunstâncias económicas e sociais de uma criança, de um jovem, não podem determinar o seu futuro. É essa uma das promessas maiores da escola: transformar pontos de partida diferentes em oportunidades verdadeiramente iguais”, defendeu.
O presidente vincou que, neste momento, os dados revelam que o “elevador social” está “muito aquém da velocidade desejável”.
Montenegro realça aposta na creche e pré-escolar
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, destacou por sua vez a transição tecnológica, referindo a “transição muito forte do sistema educativo” na inovação e a aplicação do conhecimento “na realidade económica do país”.
“Nós queremos aprofundar a ligação de todos os ciclos de conhecimento e, em particular, do ensino de cada uma das vocações, como forma de termos um país mais desenvolvido”, declarou.
O chefe de Governo realçou a aposta na creche e no pré-escolar, que “é importante do ponto de vista da política social como um todo”, mas também “do ponto de vista familiar, da conciliação” entre a vida familiar e profissional.
“É muito importante também para remover obstáculos à natalidade desejada dos jovens casais que vivem em Portugal”, defendeu.
Luís Montenegro disse ainda que, mais à frente, “esse ciclo de ensino inicial, se for bem cumprido” terá como resultado um país e uma comunidade mais desenvolvidos, vocacionados para a inovação e “para levar mais longe o conhecimento que nos foi legado pelas gerações anteriores”.
“Esta filosofia de começar logo no nascimento e transportar todo o edifício educativo até ao Ensino Superior ou profissional é uma forma de (…) projetarmos o país”, considerou.