Danilo Lavieri: Leila aposta em Abel e pressiona contas do Palmeiras com 'all-in'

É uma aposta calculada. Mas é uma aposta. A diretoria, por sua vez, jura que é um risco calculado, mas há algumas variáveis que ninguém controla nessa equação. Não é, portanto, um all-in em que o resultado do fracasso vai ser um clube quebrado, mas um elenco que pode sofrer bastante modificação.

Nos bastidores, Leila trata a permanência de Abel Ferreira como parte central dessa estratégia. A presidente não cogita demitir o português, mesmo com a pressão sobre o treinador aumentando e com a sensação de que ela começa a ficar cada vez mais isolada na defesa do comandante. A leitura dela é simples: se o Palmeiras investiu para ganhar, não faria sentido interromper agora o trabalho de quem, na visão da presidente, é o principal responsável pela possibilidade de transformar esse investimento em taça.

O problema é que essa convicção começa a colocar uma coisa bastante mais objetiva na mesma equação: o caixa.

A Libertadores é a obsessão de Leila. Com mais um ano e meio de mandato antes de deixar o Palmeiras, ela considera a ausência de um novo título continental um buraco importante em sua passagem pelo clube. É por isso que a presidente resolveu privilegiar o elenco atual, mesmo quando aparecem oportunidades interessantes de mercado.

Allan e Flaco López estão entre os jogadores que receberam propostas e não foram liberados. A decisão preserva o potencial esportivo do time, mas tem um efeito colateral financeiro bastante concreto. Como mostrou o UOL, no programa Finanças do Esporte, a diferença entre o que o Palmeiras tem a receber e o que precisa pagar supera os R$ 500 milhões. Ao mesmo tempo, a previsão orçamentária feita pela própria gestão contava com R$ 400 milhões em vendas de jogadores para ajudar a fechar as contas. Como não o fez, já adiantou receitas para manter o fluxo de caixa.

É aqui que aparece a parte mais curiosa do all in de Leila. Um clube conhecido por ter colocado a responsabilidade financeira como uma espécie de cláusula pétrea de sua administração passou a depender, em parte, do desempenho esportivo para resolver um problema financeiro, um rumo diferente do que sempre