A operação, denominada "Lobisomem", foi apresentada pelo primeiro-ministro letão, Andris Kulbergs, numa conferência de imprensa ao lado das autoridades militares e de segurança.
Kulbergs explicou que a operação, que se estenderá por todo o mês de agosto, terá como alvo indivíduos e redes de tráfico de migrantes que facilitam o transporte e o alojamento clandestino de pessoas que atravessam a Letónia em direção a outras partes da Europa.
O ministro do Interior letão, Janis Dombrava, disse que, na noite de segunda-feira, um grupo de migrantes tentou escavar um túnel sob a fronteira entre a Bielorrússia e a Letónia.
A Polícia de Fronteiras confirmou hoje que deteve 15 pessoas na noite passada, quando tentavam atravessar irregularmente da Bielorrússia através de um túnel que elas próprias cavaram, o primeiro deste tipo descoberto pelas autoridades. O incidente ocorreu em Skrudaliena, perto da passagem fronteiriça de Silene, no sudeste do país.
Embora até agora apenas tivessem sido registadas tentativas de contornar a vedação, a Letónia vai investigar se foram construídos outros túneis ao longo da fronteira com a Bielorrússia, país que acusam de promover a imigração irregular no âmbito de uma guerra híbrida e em retaliação pelas sanções da União Europeia (UE).
A Lituânia contabilizou 1.829 pessoas que atravessaram a fronteira externa da UE através da Letónia até 29 de julho, segundo o Serviço Estatal de Guarda de Fronteiras. Os meios de comunicação social da Estónia, por sua vez, noticiaram cerca de 90 migrantes que conseguiram atravessar da Letónia.
A Letónia não tem uma ligação terrestre direta com a Europa Ocidental, como a Lituânia, que faz fronteira com a Polónia.
Kulbergs descreveu a migração irregular vinda da Bielorrússia tanto como uma forma de "guerra híbrida" contra a Europa como um "negócio" para os traficantes de migrantes, que seria drasticamente reduzido pela operação.
Uma força-tarefa intersetorial executará a missão, composta por especialistas do Ministério da Justiça e do Ministério dos Negócios Estrangeiros, assim como de organizações e instituições responsáveis pelas operações táticas, das Forças Armadas, da Guarda de Fronteiras do Estado e da Polícia.
O ministro da Defesa letão, Raivis Melnis, afirmou que o grupo utilizará vários veículos aéreos não tripulados (UAV) e sistemas de videovigilância "para detetar ameaças em tempo útil". As Forças Armadas já mobilizaram pessoal adicional e equipamento para a fronteira, a fim de apoiar a Guarda de Fronteiras.
Kulbergs disse que os dados dos UAV e dos sensores sobre a atividade ao longo da fronteira serão sincronizados, garantindo "vigilância por drones 24 horas por dia, sete dias por semana".
Leia Também: Migrações: Unicef alerta para situação de centenas de menores em Ceuta