Mãe de homem que matou Henry Nowak condenada a três anos de prisão

A mãe do homem que matou Henry Nowak - o jovem de 18 anos que morreu algemado pelas autoridades após ser esfaqueado, em Southampton, na Inglaterra - foi condenada a três anos de prisão por ajudar a encobrir o crime do filho.

Segundo a BBC, Kiran Kaur, de 53 anos, foi considerada culpada, em maio, no Tribunal da Coroa de Southampton, e agora condenada por ter retirado a arma do crime do local do homicídio.

Nowak, recorde-se, foi esfaqueado por Vickrum Digwa, que utilizou uma faca com uma lâmina de 21 centímetros, quando regressava a casa depois de uma saída à noite, no início de dezembro de 2023. No entanto, o jovem acabou por ser erradamente detido e algemado pela polícia, após o agressor ter alegado que fora alvo de insultos e agressões. 

Na leitura da sentença de Kaur, o juiz William Mousley KC afirmou que "um pai ou uma mãe responsáveis teriam confrontado o filho" e pedido que ele "fizesse o que estava certo".

"Pegou na faca e levou-a para casa, colocando-a no quarto do seu filho, juntamente com outras armas", disse o juiz, considerando que ao esconder a faca entre "uma coleção maior de armas cerimoniais e de outro tipo", a mãe ajudou "a ocultar a utilização que lhe tinha sido dada".

O procurador Nicholas Lobbenberg classificou a atuação de Kaur como "criminalidade da mais elevada gravidade" e sublinhou que a faca só foi encontrada pela polícia sete dias depois do homicídio.

Já o advogado de defesa, Mark Watson, argumentou que se tratou de "um ato espontâneo, praticado em poucos instantes", motivado por "um impulso instintivo de proteger o filho".

Dois agentes da Polícia de Hampshire estão a ser investigados por possível má conduta grave devido à forma como lidaram com Henry Nowak antes da sua morte. 

Antes de morrer, Nowak disse que tinha sido esfaqueado, mas os agentes da Polícia de Hampshire não acreditaram e, em vez de prestarem auxílio, algemaram-no. No início de julho, o Gabinete Independente de Conduta Policial (IOPC) confirmou que está a investigar a conduta de dois polícias.

Segundo o gabinete, citado pela Sky News, há provas que indicam que os dois agentes - os primeiros a chegar ao local no final da noite de 3 de dezembro — podem ter violado os padrões de conduta profissional relativos a deveres e responsabilidades, uso da força e conduta desonrosa.

Há também indícios de que um dos polícias pode ter violado o padrão relativo à autoridade, respeito e cortesia, por aparentemente ter desconsiderado a versão de Henry de que tinha sido esfaqueado.

"Há provas claras de que a confiança pública na força policial pode ter sido seriamente prejudicada por este incidente, e este é um fator que devemos considerar ao avaliar as provas", admitiu o diretor de envolvimento do IOPC, Derrick Campbell.

A investigação surge depois de a BBC ter revelado que os agentes que tomaram conta da ocorrência de Henry Nowak demoraram oito minutos a descobrir os graves ferimentos no corpo do jovem, enquanto o algemavam.

Henry Nowak, de 18 anos, foi assassinado com uma faca por Vickrum Digwa, de 23 anos, mas imagens das câmaras da polícia mostram a vítima a ser algemada por agentes antes da morte. 

As imagens divulgadas, no início de junho, pela Polícia de Hampshire, mostram que o jovem alertou várias vezes os agentes que não conseguia respirar e que tinha sido esfaqueado. 

"Não consigo respirar. Fui esfaqueado", disse o jovem.

"Acho que não, amigo", respondeu um dos polícias. Os oficiais obrigam-no, depois, a sentar-se, para ser algemado.

Perante as queixas de Nowak, um dos agentes é visto a levantar a camisa do adolescente, antes de o deixar deitado de lado. "Ele não foi esfaqueado", ouve-se uma voz masculina. O jovem morreu três minutos depois.

"O Henry disse aos agentes nove vezes que não conseguia respirar. Disse-lhes que tinha sido esfaqueado quatro vezes. O Henry foi arrastado pelo cascalho, com as mãos forçadas atrás das costas, e foi algemado. […] O Henry não devia ter morrido nas ruas de Southampton sob custódia policial", disse o pai da vítima, Mark.

No início de junho, Digwa foi condenado a prisão perpétua com uma pena mínima de 21 anos pelo homicídio.

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Daniela Filipe | 17:48 - 16/07/2026