Maldini quebra o silêncio e fala sobre Guardiola: "Até escreveu..."

Paolo Maldini quebrou o silêncio, ao início da manhã deste domingo, e falou sobre as razões que o levaram a deixar o cargo de diretor técnico a federação italiana, que ocupou durante menos de um mês. Numa extensa entrevista concedida ao jornal desportivo transalpino Corriere della Sera, a lenda do AC Milan esclareceu ponto por ponto tudo o que aconteceu.

Maldini não escondeu que Pep Guardiola era a grande opção para o cargo de selecionador de Itália, mas a recusa por parte do treinador espalhou levou o antigo central, assim como o seu braço-direito Leonardo, a colocarem as fichas em Andrea Pirlo. No entanto, a ligação deste último a uma casa de apostas russa mudou o curso das coisas e a dupla acabou por sair dos respetivos cargos. A escolha final recaiu em Roberto Mancini, que voltou a uma função que já foi sua há um par de anos.

"A nossa ideia estava ligada à técnica. Ao jogo ofensivo. A uma mudança. Em Itália, ficámos para trás em muitas coisas. Queríamos um treinador jovem que tivesse tido uma trajetória na seleção nacional. Havia três nomes. Além de Andrea Pirlo, Daniele De Rossi e Fabio Grosso. Três campeões do mundo. Mas o presidente disse-nos que, de acordo com os acordos que levaram à sua eleição, com o apoio de todos os clubes exceto a Lázio, não podíamos contactar os treinadores das equipas da Série A. Por isso, De Rossi e Grosso estavam descartados", afirmou Paolo Maldini, que esteve no cargo 16 dias.

"Ligámos ao melhor treinador italiano de sempre, o meu grande amigo Carlo Ancelotti. Ele respondeu-nos que o Brasil lhe tinha reiterado a sua total confiança. Guardiola é o treinador que melhor personifica o jogo técnico e ofensivo. Através de alguns amigos, ele tinha manifestado o desejo de treinar uma seleção nacional. Fomos visitá-lo a Barcelona, almoçámos juntos e conversámos durante um dia inteiro. Ele estava muito tentado. Esteve muito perto de aceitar. Chegou mesmo a começar a escrever formações em folhas de papel... O dinheiro nunca foi um problema. O Pep disse-nos claramente: 'Dêem-me menos um euro do que o último selecionador ganhava e estou dentro'. Recusou a oferta por cansaço. Vem de dez anos exaustivos na Premier League. Foi operado às costas. Quer descansar. Mas foi uma conversa muito séria, analisámos as formações, desde os sub-17 em diante... Por isso, decidimos pelo Andrea. O Malagò [presidente da federação] sabia de tudo, fomos informando-o passo a passo", atirou ainda, recordando a queda da opção por Pirlo.

"Queríamos um treinador jovem, que abraçasse o projeto e tivesse uma carreira de alto nível. Do ponto de vista técnico, quando falo com o Pirlo, considero-o muito bem preparado. Acompanhado e apoiado por um diretor técnico e um assessor, teria sido o treinador ideal. Que currículo tinham os dois últimos treinadores que ganharam o Mundial, o Scaloni e o De la Fuente? Se tudo for visto como estando ligado ao treinador que está no banco, olha-se para o presente e nunca para o futuro. E nós viemos de três falhas na qualificação. Não sabíamos nada da ligação com a agência de apostas russa. A opinião pública fez o seu trabalho. Mas não havia nada a nível jurídico que pudesse ter impedido o Andrea de ser o treinador da Itália. Eu diria que foi um pretexto. Sem dúvida, o assunto foi explorado de forma absolutamente exagerada. O Pirlo estava disposto a pôr fim à sua relação com a empresa de apostas russa. É uma pessoa muito íntegra, não merecia todo este alvoroço. Invocaram o código de ética, o decreto da dignidade. Mas se houvesse uma vontade real de o contratar como treinador, não teria havido obstáculos legais", sublinhou o antigo central.

A fechar, Paolo Maldini revelou que um telefonema de Giovanni Malagò, líder da federação italiana, originou a sua demissão. O líder federativo mudou os termos do acordo e disse que queria ser ele a escolher o novo selecionador, ao contrário do que tinha afirmado quando contratou Maldini e Leonardo.

"Ligou-nos, ao Leonardo e a mim, para nos dizer: 'Na minha opinião, já não é possível contratar o Pirlo. A partir de hoje, sou eu que decido quem é o treinador. A partir de hoje, as regras mudam: eu decido quem é o treinador e vocês aprovam'. Mas se tenho uma função, se tenho uma responsabilidade, e tenciono exercê-las, isto é inaceitável. Demorámos 24 horas e apresentámos a nossa demissão, com um contrato que ainda nem sequer tinha entrado em vigor. Não sei se isto é ser intransigente e presunçoso. Estou habituado a outra forma de fazer as coisas. Já não existiam as condições de confiança necessárias para realizar um trabalho que é enorme, mas, ao mesmo tempo, emocionante", finalizou.

Oficial: Roberto Mancini volta a ser selecionador italiano

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Roberto Mancini vai regressar ao cargo de selecionador italiano, anunciou hoje o presidente da Federação Italiana de Futebol (FIGC), Giovanni Malagò, com Claudio Ranieri a ser o novo diretor técnico.

 Lusa | 14:45 - 28/07/2026