O diretor executivo da Meta, Mark Zuckerberg, rejeitou os apelos crescentes para suspender ou abrandar o desenvolvimento da inteligência artificial (IA), defendendo que mecanismos de mercado e risco de ações judiciais já funcionam como principais travões para eventuais abusos.
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Num texto publicado na rede social X, Zuckerberg afirmou que “as pessoas não vão querer usar agentes que não estejam alinhados com os seus interesses, ou que não façam o que lhes pedem”, de modo que os programadores têm “um forte incentivo natural” para tornar os modelos mais fiéis às necessidades dos utilizadores.
O conceito de “alinhamento” refere-se precisamente ao esforço para que os sistemas se comportem de acordo com a vontade humana.
O fundador da Meta sublinhou que qualquer laboratório que não se concentre nesse alinhamento “ficará para trás” e recordou que a empresa adiou durante meses o lançamento do sistema Muse AI, com agentes personalizados, para reforçar os mecanismos de segurança. “Fizemo-lo como parte do nosso trabalho diário porque era claramente o correto para as pessoas e para nós”, escreveu.
A discussão sobre a regulação da IA intensificou-se nas últimas semanas, após incidentes de segurança e sinais de que os modelos começam a evoluir sem intervenção humana. Empresas como OpenAI, Anthropic e Google estudam a criação de um organismo comum para definir normas, enquanto figuras como Dario Amodei, diretor executivo da Anthropic, defendem um abrandamento do ritmo de desenvolvimento.
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Zuckerberg contrapõs que a ameaça de processos judiciais já obriga os laboratórios a agir de forma responsável e que a melhor prática da indústria passa por avaliações independentes dos sistemas.
Acrescentou ainda que a Meta recorre a especialistas externos e apelou à criação de um “ecossistema mais vasto e diversificado de avaliadores”, numa crítica indireta à Anthropic, acusada de privilegiar avaliadores próximos da empresa.
A Meta, que este ano investiu até 145 mil milhões de dólares (125 mil milhões de euros) em infraestruturas de IA, tem resistido a qualquer regulação que possa atrasar os seus modelos. Zuckerberg já tinha defendido em agosto que “nenhuma regra deve atrasar a saída dos modelos americanos, nem sequer por um mês”.
A sua posição foi saudada por várias personalidades da Silicon Valley próximas da Casa Branca, que contestam os alertas sobre os riscos da IA e rejeitam os apelos a travar o seu desenvolvimento.