Duas funcionárias de uma creche da ilha das Flores, nos Açores, estão a ser acusadas de maus-tratos a crianças, algumas das quais apenas com dois anos de idade.
O caso foi denunciado pelos pais à RTP-Açores e já levou, inclusive, à demissão do presidente da Casa do Povo das Lajes das Flores, à qual pertence a creche Arco-Íris, assim como do secretário da mesma.
Por escrito, os pais de uma das vítimas revelou ao canal regional que existe mais de uma dúzia de vídeos que comprovam a violência física e verbal.
"Foram entregues ao Ministério Público (MP) e ao tribunal 15 ou mais vídeos de maus-tratos a crianças, incluindo uma das funcionárias a fazer um 'mata-leão' ao meu filho, de apenas 2 anos", denunciou.
Já outro garantiu que, num grupo de WhatsApp onde constam pais e funcionárias, uma das auxiliares confirmou que havia maus-tratos na instituição.
"Enviei uma mensagem no grupo de WhatsApp, onde perguntei se realmente havia esses maus-tratos, depois de ouvir esses rumores fora da creche e uma auxiliar confirmou, disse que sim", contou o pai ao canal regional.
Os vídeos terão sido gravados em agosto por uma funcionária, que depois apresentou queixa na Polícia de Segurança Pública (PSP) de Santa Cruz das Flores, no início de setembro.
Situação ocultada? Pais garantem que sim
As duas funcionárias acusadas de maus-tratos já foram afastadas da creche. Uma foi despedida pela Casa do Povo, e a outra deixou de trabalhar com as crianças, mas continua empregada uma vez que é funcionária da Câmara Municipal das Lajes das Flores.
Entretanto, os pais das crianças já se reuniram com a direção da Casa do Povo mas o encontro acabou por gerar "algumas discussões". Os mesmos acreditam que o presidente da Casa do Povo demissionário "ocultou" a situação e admitiu ter contratado a funcionária despedida porque ela "tratou" das filhas dele.
Ainda segundo os mesmos, parte da administração da Casa do Povo das Lajes das Flores não sabia das denúncias nem das suspeitas.
Ao Notícias ao Minuto, Gustavo Alves, tesoureiro da Casa do Povo em questão explicou que já foram tomadas medidas preventivas quanto às funcionárias em questão.
"Até à data, as situações circunstanciam-se a períodos de tempo muito curtos e com alegadas situações envolvendo duas funcionárias onde foram tomadas medidas preventivas à altura dos factos pelo presidente, devido a uma denúncia com um vídeo de telemóvel, terminando com o vínculo laboral de uma funcionária", lê-se na resposta enviada por escrito pelo tesoureiro ao Notícias ao Minuto, perante um pedido de reação por parte da Casa do Povo.
Já a segunda auxiliar suspeita de maus-tratos a crianças foi afastada da creche a 18 de setembro. Tinha sido cedida à instituição pela Câmara Municipal das Lajes das Flores, pelo que o seu vínculo laboral é da responsabilidade da autarquia.
"Condução do processo não seguiu alguns trâmites exigíveis pela sua complexidade"
A instituição assume que "a condução deste processo não seguiu alguns trâmites exigíveis pela sua complexidade, o que levou a presidência a assumir a responsabilidade e a se demitir do cargo, seguindo-se solidariamente o secretário, por terem ambos muitos anos de contributo cívico neste âmbito".
No entanto, Gustavo Alves pede que não se generalize o comportamento das suspeitas. "As nossas funcionárias e as antigas são e foram de um esforço de trabalho tremendo e de uma entrega e capacidade reconhecidas pela maioria das famílias que utilizaram ou utilizam esta valência essencial para o concelho e não podem estar sob suspeita generalizada de atos que não são, de todo, prática da casa e que têm de ser averiguados antes de se fazer um julgamento sumário, querendo a instituição reiterar que quer o apuramento da verdade, a melhoria contínua das condições para as nossas crianças e restabelecer a confiança dos pais com a instituição", sublinhou.
Para já, nem o presidente, nem o secretário demissionário da Casa do Povo das Lajes das Flores reagiu publicamente ao caso.
Creche não tem educadora há meses
O Notícias ao Minuto sabe que a creche está a funcionar há alguns meses sem educadora. Funciona apenas com auxiliares, uma vez que "o último concurso ficou deserto".
Em breve, quando houver eleições para os novos órgãos sociais da Casa da Povo das Lajes das Flores - cuja data ainda não foi definida - abrirá novo concurso.
Para já, o que os pais exigem é que seja feita justiça. Dizem que os filhos já apresentavam sinais de medo quando iam para a creche, mas nunca pensaram que estes eram maltratados pelas mãos de quem os devia acolher.
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