O método consiste em liberar mosquitos que carregam a Wolbachia, uma bactéria natural presente em mais da metade dos insetos na natureza. Ela atua como um bloqueio, tornando o Aedes aegypti incapaz de transmitir as arboviroses.
Ao serem espalhados pela cidade, esses mosquitos cruzam com a população local e passam a bactéria para as próximas gerações. A modificação não envolve alteração genética, não utiliza produtos químicos e é considerada segura, com recomendação da Organização Mundial da Saúde (OMS) e aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
O método já reduziu os casos de dengue em até 89% em Niterói (RJ) e trouxe bons resultados em cidades como Joinville (SC) e Campo Grande (MS).
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O pesquisador da Fiocruz Diogo Chalegre acompanha as etapas em Porto Velho e pede tranquilidade aos moradores durante a soltura dos insetos.
Ele reforça que os mosquitos são visualmente idênticos aos comuns e que o método usa um microrganismo já presente no meio ambiente.
“Essa bactéria já está presente em 60% dos insetos na natureza, só que ela não tinha ainda no Aedes aegypti”, destaca Chalegre.
Outro ponto fundamental defendido pelo pesquisador é que o processo não envolve transgenia. Diante da cena incomum de agentes liberando os insetos pelas ruas, ele reforça o pedido de tranquilidade.
“Não tem nenhum tipo de modificação genética; a população deve ficar tranquila, apesar de, às vezes, assustar você ver um agente de endemias soltando esses mosquitos”, pondera.
Visualmente, os insetos que estão sendo liberados são idênticos aos que as pessoas já encontram em suas casas no dia a dia. A única diferença está no "escudo" biológico que eles carregam.
“Eles são iguais. A única diferença é que eles estão carregando essa bactéria que vai proteger a gente de adquirir essas doenças”, conclui.
Apesar da inovação, Chalegre reforça que as medidas tradicionais de prevenção devem continuar.
“Todo mundo precisa continuar fazendo o trabalho. Não é porque eu tenho um novo componente aqui no rol, fazendo esse controle, fazendo esse combate, que eu, enquanto morador, vou deixar de cuidar do meu quintal. Não posso deixar água parada, eu tenho que evitar o criadouro, porque, senão, a gente não vai conseguir vencer essa doença”, disse.
Como funcionará em Porto Velho
A primeira fase do projeto foca na comunicação e no engajamento da população. Segundo a Fiocruz, 276.393 pessoas serão contempladas em 27 bairros de Porto Velho, com visitas educativas em escolas, unidades de saúde e espaços públicos, além de divulgação na mídia local.
Em seguida, começa a liberação controlada dos mosquitos adultos com Wolbachia, conhecidos como "wolbitos". A soltura é feita por equipes a pé ou de carro, que liberam os insetos presos em tubos ao longo do trajeto. Cada um dos 27 bairros escolhidos receberá cerca de dois milhões de exemplares por semana.
A liberação ocorrerá durante 26 semanas. Após esse período e a realização de monitoramentos, a soltura não será mais necessária, pois a população de mosquitos com a bactéria já estará estabelecida. A expectativa é de que os cientistas observem os resultados iniciais em até 26 semanas após a primeira soltura.
“A ideia é que, ao término desse prazo, a gente já tenha uma população de Wolbachia estabelecida aqui na cidade. E, com isso, ali em um ou dois anos, a gente espera de fato ver um resultado na transmissão dessas doenças, com uma redução no número de casos aqui em Porto Velho”, projeta o pesquisador.
Produção dos mosquitos
Os insetos são produzidos no novo insetário da Fiocruz Rondônia. O espaço conta com salas de preparação e criação, desde a fase de larva até a idade adulta, onde ficam mantidos até as operações de liberação.
O insetário funcionará todos os dias da semana por um período de seis meses. Esse tempo coincide com a fase de liberação e é o necessário para garantir a produção da quantidade de wolbitos determinada pelo projeto.
Porto Velho recebe nova tecnologia para combater arbovirose — Foto: Wolbito do Brasil
Porto Velho recebe nova tecnologia para combater arbovirose — Foto: Wolbito do Brasil
Porto Velho recebe nova tecnologia para combater arbovirose. — Foto: Wolbito do Brasil