O superintendente-chefe da Polícia de Segurança Pública (PSP) Bastos Leitão comentou, esta quarta-feira, o caso que envolve a apreensão de cinco toneladas de cocaína no porto de Sines, assim como a morte de um dos suspeitos - que foi encontrado morto na cela da cadeia anexa à Polícia Judiciária (PJ), em Lisboa.
"À partida é uma falha porque embora a Inspeção-Geral da Administração Interna não tenha jurisdição sobre os serviços prisionais nem sobre a PJ - penso que as instalação até são dos serviços prisionais, nem são propriamente geridas pela PJ -, há uma norma que indica quais são as condições que estas celas têm de ter", respondeu, quando questionado na CNN Portugal sobre eventuais falhas em relação a este suspeito, que estava à guarda do Estado.
O superintendente-chefe da PSP apontou ainda que, ao longo dos anos, tanto a PSP como a Guarda Nacional Republicana (GNR) foram obrigadas a fazer alterações em todas as celas para que estas não tenham, por exemplo, pontos de suspensão, onde com uma peça de roupa se possa "agarrar esse ponto e fazer o enforcamento".
"É um bocado estranho que este detido tenha conseguido fazer isto. Porque não seria possível se não houvesse pontos de suspensão", detalhou, apontando depois que a "regra que existe da Inspeção-Geral da Administração Interna", mas que deveria aplicar: "É uma norma que foi estudada e tem provas dadas na PSP e na GNR."
"Não se percebe muito bem porque é que também não é adotada por outras organizações. Vamos supor que não terá sido [adotada]. Portanto, uma cela que tem um ponto de suspensão, tenho de admitir que é uma falha - se é esse o caso. Mas não estou a ver que alguém se possa enforcar sem haver um ponto de suspensão onde agarrar, eventualmente, um lençol, uma peça de roupa. Não sei o detalhe da forma que foi feito. À partida temos aqui uma falha - que sim, tem de ser averiguada, como é óbvio", referiu.
O homem, tripulante indiano do navio que transportava a droga, foi encontrado morto na cela, por enforcamento, na abertura da cela, cerca das 8h00. A Direção dos Serviços Prisionais anunciaram a abertura de inquérito.
Este homem que morreu era um dos três detidos após a operação da PJ no porto de Sines. O navio porta-contentores que transportava cinco toneladas de cocaína foi abordado em alto-mar pelas autoridades portuguesas para garantir que a droga era apreendida.
"Tínhamos de garantir que a droga não se perdia, que não era feito um transbordo em alto-mar", afirmou o diretor da Unidade Nacional de Combate ao Tráfico de Estupefacientes, João Oliveira, numa conferência de imprensa em Lisboa, com a presença de representantes da Marinha e Força Aérea portuguesas e da Polícia Nacional espanhola.
Segundo João Oliveira, os dois clandestinos eram um italiano e um colombiano e o tripulante um indiano.
O porta-contentores, "proveniente da América Latina, foi detetado e abordado a cerca de 640 milhas náuticas de Lisboa, o equivalente a 1.185 quilómetros, em condições extremas de dificuldade" e foi "acompanhado pela Marinha até ao Porto de Sines", no distrito de Setúbal, onde atracou na madrugada de terça-feira, precisou hoje a PJ em comunicado.
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