"Estamos a enfrentar várias ameaças e falarei muito claramente sobre isso aqui", afirmou José Manuel Albares, à chegada a uma reunião informal de ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia (UE) que hoje se realiza na Irlanda e em que também participa o chefe da diplomacia portuguesa, Paulo Rangel.
"Temos ameaças híbridas, temos desinformação. Tudo isto precisa de ser combatido e é inaceitável que haja governos europeus que tenham contribuído para amplificar a desinformação em torno de Ceuta", criticou.
No final de julho, cerca de 72 mil pessoas partiram de Marrocos e entraram ilegalmente na cidade espanhola de Ceuta, situada no norte de África, desestabilizando a região e a Europa.
O episódio aconteceu depois de o Supremo Tribunal espanhol restringir, no início daquele mês, as devoluções a quente de migrantes intercetados no mar e Marrocos ter aliviado o controlo da fronteira.
Durante o encontro de hoje, realizado sob a presidência irlandesa da UE, Albares vai pedir aos seus homólogos europeus solidariedade e mais financiamento para reforçar a fronteira terrestre sul da UE, formada por Ceuta e Melilla.
"A União Europeia, neste momento em que enfrenta tantos desafios, precisa de união e solidariedade. Sem solidariedade, não pode existir", sublinhou, acrescentando que Espanha "é um país que oferece sempre solidariedade".
Neste sentido, enumerou situações que anteriormente exigiram o apoio de parceiros europeus: o caso de terça-feira na Alemanha, com as provas apresentadas sobre um ataque híbrido russo em Leipzig; o desafio migratório enfrentado pelos países do leste da UE em 2021 devido à Bielorrússia; a invasão russa da Ucrânia desde 2022; a crise migratória de 2023 em Lampedusa e também a recente "pressão inaceitável" à integridade territorial da Dinamarca em relação à Gronelândia.
"Portanto, hoje, na reunião, deixarei bem claro que o que Espanha espera é a mesma solidariedade de todos os seus parceiros em relação à fronteira terrestre sul da União Europeia, tal como temos em relação a qualquer outra fronteira", afirmou, enfatizando que a fronteira sul da União Europeia é tão importante como a sua fronteira leste.
Albares aproveitou ainda para reiterar a acusação à Rússia de orquestrar a entrada em massa de migrantes em Ceuta, apesar de o Serviço Europeu de Ação Externa indicar que Moscovo só amplificou a crise posteriormente.
"Há muitos 'tweets' [mensagens publicadas nas redes sociais] de diferentes pessoas, algumas com cargos governamentais, que estão disponíveis e são públicos", alegou.
"Até o meu homólogo ucraniano [Andrii Sybiha] 'tweetou' nesse mesmo dia – ele estará aqui hoje e discutiremos tudo isto na reunião – a explicar como as redes russas estiveram muito, muito ativas naquele momento", acrescentou.
Um porta-voz da Comissão Europeia disse na terça-feira que o Serviço Europeu de Ação Externa identificou "tentativas da Rússia de tirar partido" da crise migratória em Ceuta, referindo, no entanto, que não há provas de que o fluxo de migrantes "tenha sido causado por desinformação de agentes estatais estrangeiros".
O ministro espanhol já tinha também acusado "mega-influenciadores conservadores" como o magnata norte-americano e dono da rede social X, Elon Musk, de tentarem dividir os espanhóis e fragmentar a Europa com a crise migratória na cidade espanhola de Ceuta.
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