É uma diferença importante em relação ao antigo movimento de simplesmente comprar um carro chinês e revendê-lo com outra marca. Aqui, a cadeia chinesa começa a entrar no desenvolvimento e no fornecimento de um automóvel europeu.
A parceria tem reflexos inclusive no Brasil. A Stellantis confirmou que produzirá os Leapmotor B10 e C10 em Goiana (PE) e que sua engenharia trabalha no desenvolvimento de uma versão flex do sistema REEV da marca chinesa.
Os exemplos vão além de Volkswagen, Audi e Stellantis. A BMW escolheu a chinesa Momenta para desenvolver sistemas avançados de assistência à condução para seus veículos vendidos na China e também passou a integrar tecnologias locais, como recursos de inteligência artificial do DeepSeek e soluções da Alibaba Banma. A Toyota mantém uma joint venture de pesquisa e desenvolvimento com a BYD para veículos elétricos, plataformas e componentes e já lançou na China modelos desenvolvidos com participação da fabricante chinesa, como o bZ3.
A Renault, por sua vez, criou com a Geely a Horse Powertrain, empresa que reúne tecnologias de motores, transmissões e sistemas híbridos e atende também Nissan, Mitsubishi e Volvo. A Volkswagen ainda mantém uma joint venture com a chinesa Horizon Robotics para desenvolver sistemas de condução automatizada e inteligência artificial para seus carros na China. As parcerias já atravessam praticamente todas as novas áreas estratégicas do automóvel: baterias, plataformas, powertrain, software, inteligência artificial e condução assistida.
Conhecimento mudou de mãos?
O estudo da K.LUME explica por que essa virada ocorreu justamente agora. Durante a primeira fase de desenvolvimento da indústria chinesa, o conhecimento mais importante estava em fazer bem aquilo que as fabricantes ocidentais e japonesas dominavam: manufatura, motores, transmissões, qualidade industrial e desenvolvimento de um automóvel convencional, mas eletrificação alterou essa equação.