Moto-taxistas moçambicanos pedem combustíveis em protesto

Os manifestantes afirmam que passam várias horas por dia nas filas dos postos de combustível, reduzindo significativamente o tempo dedicado ao trabalho, e acusam alguns locais de abastecimento de não disponibilizarem produto, apesar da chegada regular de camiões-cisterna à cidade.

"Todos os dias aparecem camiões aqui em Nampula, mas quando vamos às bombas dizem que não há combustível. Isso é chocante", disse à Lusa o moto-taxista João Lopes, afirmando estar há três dias sem conseguir abastecer a sua motorizada.

A dificuldade de acesso ao combustível, referem, contribuiu igualmente para o aumento dos preços praticados no mercado informal, onde alguns dizem estar a pagar cerca de 300 meticais por litro, mais do dobro da tarifa máxima definida.

"Estamos aqui há quase dois meses. Eu, particularmente, estou há duas semanas a andar de bomba em bomba e até a dormir nas bombas. Quando chegamos, dizem que o combustível já foi comprado. Afinal, quem compra o combustível?", questionou Alfredo André Mário.

Os moto-taxistas afirmam que a situação se agravou depois das orientações das autoridades para combater a venda informal de combustível nas ruas.

"Nós aceitamos quando o nosso governador disse para acabar com a venda de combustível nas ruas. Mas, se nas ruas não há e nas bombas também não há, onde vamos abastecer?", questionou o mesmo operador.

Outro manifestante, Assamo José, relatou que chega a sair de casa de madrugada para garantir lugar nas filas, sem conseguir abastecer no final do dia.

"Não é normal uma pessoa sair de casa à 01:00 ou 02:00 horas, ficar até às 17:00 sem combustível. Temos crianças em casa que precisam de comer e nós não temos outro emprego", afirmou.

Após ser informado da concentração, o governador da província de Nampula, Eduardo Abdula, deslocou-se ao local e apelou à retirada dos manifestantes, manifestando disponibilidade para ouvir as suas preocupações.

"Eu estava a ir para o meu gabinete. Quando disseram que eles vieram para aqui, voltei a pé e estou aqui", explicou, no local.

O governador propôs que os operadores escolhessem dez representantes para uma reunião no seu gabinete, acompanhada pela comunicação social, para apresentação das preocupações e procura de soluções para o problema.

"Estou aqui mesmo para ouvir, para escutar. O que eu pedi a eles é que tragam mais dez pessoas ao gabinete (…) mas que eles tenham uma retirada imediata daqui deste local", afirmou.

Eduardo Abdula defendeu o respeito pelas leis e procedimentos aplicáveis às manifestações, advertindo que a residência protocolar não é o local apropriado para este tipo de ações.

Sobre as denúncias de eventual retenção ou comercialização irregular de combustível, o governador afirmou que as situações comprovadas serão encaminhadas às autoridades competentes, incluindo o Ministério Público.

"Caso se prove que há, de facto, bombas que estão a agir de má-fé, cadê a lei? Vamos usar a lei. O meu compromisso é com o meu povo. Não é com mais ninguém", afirmou.

O Governo moçambicano disse em agosto que estava a analisar as causas da nova vaga de escassez de combustíveis em várias zonas do país, após semanas de relativa normalização do abastecimento que se seguiu à crise em abril e maio, provocada pelo conflito no Médio oriente.

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