Nova suspeita de sabotagem contra infraestruturas elétricas na Alemanha

Ao início da noite, um peão encontrou um objeto suspeito no chão perto de uma subestação em Dormagen (oeste), disse um porta-voz da polícia de Neuss à AFP.

O objeto não causou danos e foi "recolhido", disse a polícia, acrescentando que o seu potencial para causar danos ainda tem de ser determinado.

A descoberta acontece dois dias após dois alegados ataques a outras subestações elétricas, os mais recentes atos de sabotagem contra infraestruturas críticas do país.

A polícia abriu uma investigação antiterrorista ao primeiro incidente, no qual explosivos artesanais foram detonados na madrugada de terça-feira numa subestação em Jänschwalde (leste, perto da fronteira com a Polónia), que distribui eletricidade a partir de uma central termoelétrica a carvão.

No segundo incidente, em Bergheim (oeste), sabotadores provocaram deliberadamente um curto-circuito numa subestação da Amprion, atingindo cabos de energia aéreos. As subestações de Dormagen e Bergheim, localizadas perto de Colónia, distam apenas cerca de 15 quilómetros uma da outra.

Segundo Herbert Reul, ministro do Interior do estado da Renânia do Norte-Vestfália, as autoridades estão a investigar uma possível ligação entre os incidentes em Bergheim e Jänschwalde.

O chefe da polícia criminal de Colónia (oeste) observou a presença de "provas comparáveis que precisam de ser examinadas com atenção".

"Em ambos os locais, parece que foram utilizados engenhos pirotécnicos", acrescentou.

Nenhum dos ataques, que não foram reivindicados, resultou em apagões generalizados, embora a operação de centrais elétricas próximas tenha sido afetada.

Nos últimos meses, a Alemanha tem enfrentado repetidos ataques à sua infraestrutura energética, alguns dos quais reivindicados por ativistas de extrema-esquerda, nomeadamente na região de Berlim.

A Alemanha, um dos principais apoiantes da Ucrânia contra a invasão russa, é também alvo de planos de sabotagem que atribui a Moscovo, uma alegação que o Kremlin nega.

A polícia alemã anunciou que na madrugada de hoje foram lançados dispositivos incendiários contra edifícios que albergam empresas de armamento em Munique e que dois suspeitos búlgaros foram detidos.

Segundo um porta-voz da polícia regional, as autoridades foram alertadas por volta da meia-noite "de que tinham sido lançados dispositivos incendiários a partir de um carro em Mühldorfstrasse", na zona leste da capital bávara.

"Um dispositivo incendiário pôde ser imediatamente extinto pela polícia" e "outro teve de ser desativado", afirmou a polícia alemã à agência de notícias France-Presse (AFP).

Várias empresas do setor do armamento estão localizadas na rua onde ocorreu o ataque, incluindo o grupo Rohde & Schwarz, especializado em tecnologias de segurança para o governo e o exército alemão, ou a empresa de Munique Helsing, que desenvolve 'software' aplicado à indústria da defesa.

Questionado numa conferência de imprensa ao lado dos seus homólogos franceses e polacos em Weimar (centro-este), o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, Johann Wadephul, assegurou, por seu lado, que os serviços de segurança estavam a trabalhar "a todo o vapor", num contexto de multiplicação de ataques híbridos no país.

"Podemos, a qualquer momento, esclarecer este tipo de casos", acrescentou, dando como exemplo o incidente do drone explosivo no aeroporto de Leipzig.

As tensões entre Moscovo e Berlim intensificaram-se esta semana depois de a Alemanha ter acusado oficialmente, na terça-feira, a Rússia de estar diretamente envolvida no caso do drone em Leipzig.

As autoridades alemãs acusam a Rússia de contratar, para este tipo de sabotagem, agentes "de baixo nível", ou seja, elementos sacrificáveis, mal remunerados e frequentemente recrutados nas redes sociais para missões pontuais.

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