Há princípios que têm de ser repetidos, para que não subsistam dúvidas.
Os jornais e os jornalistas, diz-se, são historiadores do presente, contam histórias que ficam escritas em letra de imprensa (agora no formato digital) e que servem de prova sobre o que se passou. Regra geral, é a última versão que fica no registo, e por isso o ECO tem de voltar a um caso – o do barramento de um jornalista no hall de entrada do Ministério das Finanças – que ultrapassou uma linha vermelha, aquela que define princípios e que determina a natureza de um meio de comunicação social independente, sejam quais forem os interesses.
O ECO não é um partido, não é um parceiro social, não suporta governos nem faz oposição, faz jornalismo, com independência, quaisquer que sejam as consequências. E o diretor tem de ser o garante da defesa das condições de uma redação para cumprir a sua missão.
No dia 2 de julho, o jornalista Luís Leitão foi barrado no hall de entrada do Ministério das Finanças para um encontro informal para o qual tinha sido formalmente convidado porque publicou uma notícia sobre o tema em questão, um novo produto de poupança do Estado. O ECO fez perguntas em devido tempo sobre esse produto financeiro e, sem resposta, foi confrontado com a marcação desse encontro. Obviamente, o ECO publicou a notícia, mas continuava a ter muitas perguntas para fazer. O Ministério das Finanças não só decidiu desconvidar o ECO como fez questão de o fazer saber exatamente na hora do dito encontro. No momento do registo de entrada, o nome de Luís Leitão estava mesmo na lista… para ser barrado. Um funcionário das Finanças pediu a um GNR para afastar o jornalista do ECO para um canto, à frente de todos os colegas que estavam para o mesmo encontro informal. E o contacto da assessora de Imprensa foi feita pelo telefone, sem o mínimo cuidado, sensibilidade e respeito profissional por quem estava naquele hall do Ministério por ter sido convidado para tal e desconvidado naquele preciso momento, ao vivo e a cores.
O ECO toma pela terceira vez uma posição pública sobre este caso porque chegou ao Parlamento uma resposta do Ministério das Finanças a perguntas do PS que não conta a verdade. E para que não subsistam dúvidas sobre o que se passou, e para que não fique para a história uma última versão que não reflete o que se passou, repõe-se aqui a verdade. Desde logo porque num momento do país em que se parece aceitar tudo com leveza e ligeireza, em que a informalidade é politica e socialmente aceite, é preciso pôr limites. Havia outro caminho, o reconhecimento do erro, a explicitação de que alguma coisa correu muito mal, e isso também seria a evidência de que, no Ministério das Finanças, tinham percebido o que estava em causa. Não faríamos dessa posição uma vitória política, simplesmente porque o ECO não é um partido. O que está em causa é mais fundo.
Assinalo publicamente pela primeira que, em dez anos, o ECO nunca entrevistou o ministro das Finanças Mário Centeno nem o governador do Banco de Portugal Mário Centeno, tantos quantos o ECO tem de existência. Faz parte, nunca nos queixámos, Centeno tinha toda a legitimidade para não dar entrevistas ao ECO, apesar dos inúmeros pedidos, e só o assinalo neste momento porque o ministro é outro, e o Governo é outro. Retira-se, ainda assim, uma conclusão: Mário Centeno já não é ministro nem governador e o ECO continua a fazer notícias. E assim continuará, sem entrevistas ou com barramentos.
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