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Conferência de imprensa da Rádio Observador. Nos próximos minutos passamos em revista os destaques da imprensa nacional e internacional. Eu sou o Carlos Pedro, a edição de hoje é do jornalista Hugo Fortunato de Oliveira. Muito bom dia.
Bom dia, Carlos.
Vamos começar com o jornal Público e com o pedido das Nações Unidas para que sejam retirados os projetos de lei do PSD, Chega e CDS sobre identidade de gênero.
Numa carta enviada ao presidente da Assembleia da República, o Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos alerta que as propostas podem colocar em causa obrigações internacionais assumidas por Portugal. A ONU censura a intenção do PSD e do Chega de voltar a exigir relatórios médicos para o reconhecimento legal da identidade de gênero, bem como para retirar essa possibilidade aos jovens de 16 e 17 anos. Também o projeto do CDS, que prevê a proibição de tratamentos hormonais e de bloqueadores de puberdade a menores de 18 anos, é alvo de críticas das Nações Unidas, que alertam para eventuais impactos no direito à saúde e à não discriminação. O apelo é claro: os projetos devem ser retirados ou, no limite, caso avancem, devem ser revistos através de consultas transparentes e inclusivas.
Já o Correio da Manhã escreve hoje que o recurso de Luís Montenegro contra uma decisão da Entidade para a Transparência está parado no Tribunal Constitucional há um ano.
Segundo o jornal, o processo deu entrada em agosto de 2025 e está relacionado com informações que a Entidade da Transparência exige ao primeiro-ministro sobre a Spinum Viva. Montenegro contesta algumas das exigências desta entidade, nomeadamente a divulgação dos serviços prestados, bem como da lista de clientes e de bens de que era coproprietário quando a mulher era sócia da empresa. O Tribunal Constitucional confirma que ainda não há uma decisão sobre o recurso. Há ainda um segundo processo pendente, apresentado pelo primeiro-ministro já em maio deste ano, relacionado com as mesmas regras de transparência dos titulares de cargos públicos.
Fechamos a ronda pela imprensa nacional a olhar para o Jornal de Notícias, que dá conta hoje, de um crescimento do número de homens vítimas de violência doméstica a pedir ajuda.
Só no ano passado, a Associação de Apoio à Vítima apoiou quase 800 homens alvo de violência conjugal ou no namoro, cerca de 120 a mais do que no ano anterior. A APAV diz que este é um número que não para de aumentar. Só nos últimos cinco anos disparou 137%. A associação não traça, ainda assim, uma relação nexo-causalidade entre o aumento do número de pedidos de apoio com o aumento do número de casos.
Vamos à imprensa internacional. O espanhol La Vanguardia faz manchete com as divergências entre os Ministérios da Defesa e do Interior. Isto sobre os alertas existentes antes da entrada massiva de migrantes em Ceuta.
Ouvida no Parlamento Espanhol, a ministra espanhola da Defesa afirmou que os 25 agentes do Centro Nacional de Inteligência destacados para Ceuta partilharam com as autoridades informações sobre mobilizações que estariam a ser preparadas junto da fronteira. Margarita Robles revela que no dia 29 de julho, um funcionário do centro terá alertado verbalmente para essas movimentações. O ministro espanhol do Interior conta uma história diferente. Fernando Grande-Marlaska garante que não existia qualquer relatório dos serviços de inteligência que previsse uma entrada em massa, como a que se viria a acontecer depois nos dias seguintes. E vai mais longe, diz que nenhum serviço de inteligência estrangeiro fez qualquer alerta semelhante para a situação.
Tempo ainda para olharmos para o britânico Financial Times, que faz manchete com a resposta da China às sanções dos Estados Unidos ao Irão.
Pequim já avisou Washington de que vai retaliar caso as empresas chinesas sejam abrangidas pela nova vaga de sanções norte-americanas a Teerão. O aviso surge depois dos Estados Unidos terem anunciado novas sanções contra dezenas de entidades ligadas à economia iraniana. A China continua a ser o principal comprador de petróleo iraniano. Pequim diz que vai tomar todas as medidas necessárias para defender os interesses e classifica de ilegais as sanções unilaterais sem fundamento no direito internacional. Temos agora uma nova escalada das tensões económicas entre os Estados Unidos e a China, que poderá colocar em risco as tréguas comerciais entre os dois países, isto numa altura em que Donald Trump e Xi Jinping se deverão reunir em breve na capital norte-americana.
Hugo Fortunato de Oliveira com os destaques dos jornais de Portugal e do mundo.