Autoridades de Paris, na França, investigam a exclusão de funcionárias mulheres durante uma delegação religiosa hindu à Torre Eiffel, que gerou uma greve entre os trabalhadores do monumento e acusações de discriminação e críticas de políticos franceses.
O caso ocorreu durante o final de semana. As funcionárias foram solicitadas a se afastar do local durante uma visita privada de uma delegação de cerca de 100 pessoas do grupo religioso hindu Bochasanwasi Akshar Purushottam Swaminarayan Sanstha (BAPS) no sábado (5).
“Enquanto a delegação passava, as mulheres foram solicitadas a deixar seus postos de trabalho para que os homens pudessem ocupar seus lugares”, disse Diane Davoine, representante sindical, à Reuters.
O incidente gerou revolta entre os funcionários e uma reunião entre os trabalhadores motivou o fechamento da Torre Eiffel na noite de segunda para uma greve, segundo representantes sindicais. Uma placa foi instalada na base da torre alegou que o local estava fechado por "motivos operacionais".

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“As tensões aumentaram no fim de semana, então, nesta manhã, os funcionários decidiram se reunir: primeiro, para iniciar um diálogo com a administração e, segundo, para garantir que as mulheres nunca mais sejam tratadas dessa forma na empresa”, disse Davoine.
O sindicato CGT afirmou que as mulheres que trabalham na Torre Eiffel foram "afastadas, substituídas e invisibilizadas devido ao seu sexo".
"A algumas mulheres foi solicitado que deixassem seus postos e se retirassem para salas reservadas. Em alguns postos, foram substituídas por homens. E todas as funcionárias foram instruídas a não passar por determinadas áreas enquanto a delegação estivesse presente", afirmou o CGT em comunicado.
A direção Sociedade de Exploração da Torre Eiffel (Sete), que administra o monumento, pediu desculpas à equipe pelo incidente, e o monumento reabriu nesta terça-feira (8) para visitação.
A Sete reconheceu que a delegação hindu havia solicitado que a visita fosse organizada com a limitação das "interações com as mulheres" e admitiu que não deveria ter aceitado o pedido.
O caso também gerou críticas de políticos franceses. O prefeito de Paris, Emmanuel Grégoire, afirmou que uma investigação seria iniciada “o mais rápido possível”, e disse que a insatisfação dos funcionários com o episódio era legítima.
“É urgente que se esclareçam todos os fatos que levaram a esse protesto”, escreveu Grégoire nas redes sociais.
A BAPS, cujos representantes estavam na França para as comemorações relacionadas à inauguração de um templo hindu nos subúrbios de Paris, afirmou em comunicado que a visita à Torre Eiffel foi agendada no início do horário de funcionamento para evitar transtornos aos demais visitantes, devido ao tamanho de sua delegação.
“Pelo que sabemos, em nenhum momento alguém foi impedido de acessar a Torre Eiffel. No entanto, pedimos sinceras desculpas por qualquer transtorno ou incômodo causado”, dizia o comunicado.