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- O Governo lançou um concurso de três milhões de euros para a distribuição de jornais em áreas de baixa densidade -- divido em dois lotes --, desafiando o monopólio da Vasp.
- A nova empresa Pergaminho Flash, liderada por um ex-executivo da Vasp, pretende diversificar a distribuição e já recebeu apoio de vários grupos de media.
- A entrada de concorrentes no mercado pretende elevar os padrões de qualidade e eficiência na distribuição de jornais, beneficiando, em teoria, editores e pontos de venda.
O concurso de três milhões de euros lançado pelo Governo para a assegurar a distribuição de jornais em áreas de baixa densidade populacional parece ter como consequência imediata o fim do monopólio da Vasp, empresa que passou a ser detida a 100% por Marco Galinha em 2024 e que está sozinha no negócio da distribuição de jornais desde 2017, ano em que a Distrinews (antiga Urbanos Press) entrou em insolvência.
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EscolherA concorrente, a Pergaminho Flash, já está no mercado. Em comum, as duas empresas têm empresários que operam no setor da distribuição de tabaco e que são donos de media.
Curiosamente, já foram também sócios – entre 2020 e 2023 na Palavras de Prestígio, que tem participação na Páginas Civilizadas, empresa de Marco Galinha, também dono do grupo Bel, que controla a Global Media, na altura ainda dona dos títulos que hoje são da Notícias Ilimitadas.
“Queremos ser uma alternativa sólida, credível e de abrangência nacional”, diz em conversa com o +M Rui Marques dos Santos, diretor-geral da Pergaminho Flash, a empresa constituída em junho por José Manuel Rogeira de Jesus, dono da Parsoc e da FEPI, para responder ao concurso lançado pelo Governo.
O subsídio é para apoiar a distribuição em territórios de baixa densidade, mas nada impede que a distribuidora faça todo um caminho
Diretor de operações da Vasp entre 2001 e 2024, Rui Marques dos Santos está desde o início do ano a trabalhar com o também acionista maioritário do Jornal de Notícias e da TSF na nova distribuidora que, independentemente do resultado do concurso, vai juntar a distribuição de jornais à atividade do grupo. “O subsídio é para apoiar a distribuição em territórios de baixa densidade, mas nada impede que a distribuidora faça todo um caminho”, comenta o responsável.
Candidata aos dois lotes a concurso – Norte e Centro, no valor de 1,7 milhões de euros, e Oeste e Vale do Tejo, Grande Lisboa, Península de Setúbal, Alentejo e Algarve, com preço base de 1,3 milhões de euros – o diretor-geral da Pergaminho Flash acredita que o desenho do procedimento aponta para uma intenção do Governo de diversificar a distribuição. “Não faria muito sentido o Governo lançar um concurso e dar o território todo a uma empresa nova”, considera, defendendo que a existência de duas soluções pode elevar os padrões de qualidade para os editores e para os pontos de venda. “Em vez de uma solução menos boa, podem ter duas boas”, acrescenta.
A empresa pretende, caso lhe seja adjudicado um dos lotes – idealmente o primeiro, já que é na sua zona de atuação – , assegurar a cobertura de todo o território abrangido por esse lote e não apenas os pontos de baixa densidade. O projeto prevê aproveitar a infraestrutura e os meios do grupo – 14 plataformas de distribuição e 150 veículos –, reforçando-os com uma equipa que está a ser preparada com elementos com experiência no setor.
A Pergaminho Flash diz ter recebido o aval dos principais grupos de media para assegurar a sua distribuição, – condição para avançar – sendo a Global Media, detida por Marco Galinha, a exceção.
Entre as diferenças que a nova empresa quer introduzir estará a utilização de nova tecnologia para acompanhar a distribuição e os pontos de venda, tornar a operação mais ágil para os editores e melhorar a logística inversa, nomeadamente a recolha dos exemplares que não são vendidos.
O objetivo é então aproveitar as rotas existentes de outras atividades — sobretudo tabaco – para tornar a distribuição de imprensa mais eficiente, o que passará também pela possibilidade de recorrer a veículos elétricos e a uma distribuição mais automatizada. “Acreditamos que há condições para aumentar pontos de venda e fazer uma distribuição distinta, com carros elétricos, distribuição mais automatizada e melhor”, afirma Rui Marques dos Santos, quando questionado sobre a viabilidade económica da distribuição de jornais.
O investimento previsto é, segundo o diretor-geral, “na ordem de alguns milhões de euros”, aponta sem detalhar.
A empresa está a preparar a operação enquanto aguarda a decisão do Governo, que deverá ocorrer nas próximas semanas, seguindo-se depois o período de implementação. A expectativa é que o arranque da distribuição possa acontecer no início do próximo ano.
É neste enquadramento que se joga a distribuição de jornais. De um lado está a Vasp, o operador histórico, que tem sustentado que uma rede de distribuição nacional exige uma estrutura logística complexa e que a fragmentação da operação pode aumentar custos num negócio já pressionado pela quebra das vendas. Do outro surge uma nova empresa que pretende entrar num mercado que, até agora, tem funcionado com um único distribuidor nacional.
Ao contrário do dono da Vasp, Rui Marques dos Santos rejeita, a ideia de que as rotas de distribuição em territórios de baixa densidade sejam necessariamente inviáveis. “São rotas que se tornam difíceis de serem rentáveis se não tiverem a distribuição alinhada com outros produtos”, afirma. É precisamente essa lógica de aproveitamento de sinergias que está na base do modelo da Pergaminho Flash, juntar a distribuição de jornais a outras operações já existentes no grupo. “Vamos aproveitar viaturas, armazéns e sinergias do grupo e fazer distribuição. Não partimos do zero”, sublinha.
São rotas que se tornam difíceis de serem rentáveis se não tiverem a distribuição alinhada com outros produtos. Vamos aproveitar viaturas, armazéns e sinergias do grupo e fazer distribuição. Não partimos do zero.
“Todos os editores e pontos de venda precisam de uma alternativa”, defende o responsável. A empresa quer alargar o modelo de distribuição, responder com maior rapidez a necessidades específicas dos editores, como campanhas, e potenciar as vendas em todos os pontos de venda, dá como exemplos. Se não ganhar nenhum dos lotes, continuará a desenvolver o projeto, garante, lembrando que já tem uma editora no seu universo, a dona do Jornal de Negócios e de O Jogo.
A discussão ultrapassa, assim, a simples adjudicação de um contrato público. Em causa está o modelo futuro da distribuição de imprensa em Portugal: se deve continuar concentrado num operador com uma rede nacional já instalada ou se a intervenção do Estado pode e deve ser utilizada para criar condições para a entrada de novos concorrentes.
Aberto no início de junho, o concurso prevê que só possa ser adjudicado um lote a cada concorrente. A exceção será se “a adjudicação de um desses lotes a concorrente distinto implique, para a entidade adjudicante, um acréscimo de preço superior a 10 % face ao preço da proposta ordenada em 1.º lugar nesse lote“, lê-se no caderno de encargos.
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