Irão tem uma carta na manga para colocar a energia mundial numa situação ainda pior, mas as duas partes estão mesmo a avançar com os ataques
Os Estados Unidos atingiram uma ponte e um aeroporto, o Irão respondeu com um ataque contra uma central de dessalinização no Kuwait. São os ataques mais graves de parte a parte desde que Donald Trump anunciou que o cessar-fogo tinha acabado, colocando no ar uma rampa para uma escalada definitiva.
É que estes novos ataques não são apenas a navios que passam no Estreito de Ormuz ou a pequenas torres responsáveis pela vigilância da navegação marítima. Pontes e aeroportos são cruciais para o funcionamento de um país, enquanto uma central de dessalinização é, no Médio Oriente, um meio de subsistência.
Os novos ataques incluem, assim, infraestruturas de ambos os lados, ainda que os Estados Unidos tenham deixado de fora, pelo menos para já, as centrais energéticas do Irão, naquilo que é uma linha vermelha para Teerão, que ameaça jogar uma cartada decisiva caso isso aconteça.
Já no meio do mar, e numa operação que mostra maior envolvimento das Forças Armadas dos Estados Unidos, fuzileiros abordaram um petroleiro em pleno Estreito de Ormuz, enquanto outro navio foi apreendido pelo Iémen, confirmando que a tal cartada do Irão pode mesmo andar para a frente.
Falamos do encerramento do Estreito de Bab el-Mandeb, o que significaria o fim da circulação no Mar Vermelho e o corte definitivo de qualquer transporte marítimo de e para o Médio Oriente. Um choque energético, portanto, que o Irão tem debaixo da manga e está pronto a usar através dos Houthis, como explica este artigo da CNN Portugal.
Este pode perfeitamente ser mais um teste aos limites de ambas as partes, mas também pode ser a confirmação daquilo que a CNN tem escrito, uma vez que várias autoridades norte-americanas admitem que a vaga de ataques que se prolonga há uma semana pode ser a abertura de uma vaga para algo maior.
Indiferente à realidade da escalada, o preço do petróleo vai mesmo subindo. Esta sexta-feira o barril de petróleo estava a ser negociado a 87 dólares, uma subida de 3%, a maior desde o memorando de entendimento assinado há sensivelmente um mês. Em sentido contrário, e confirmando o receio dos mercados, as ações caíram.
Voltando aos ataques, o Irão confirmou que pelo menos cinco pontes foram atingidas no sul, sendo que sete pessoas morreram na sequência dos ataques que foram registados perto de Bandar Khamir, onde também foram alvejadas estações de comboio.
O Comando Central dos Estados Unidos também confirmou que, pela primeira vez em vários dias, foram atingidas “infraestruturas de logística militar”.
Em resposta a este ataque, o Irão lançou projéteis contra bases aéreas dos Estados Unidos nos países do Golfo Pérsico, incluindo Bahrein, Catar e Kuwait. Foi neste último Estado que foi atingida uma central energética e uma estação de dessalinização, um processo crucial para garantir água numa das áreas mais áridas do planeta.
Os bombeiros do emirado conseguiram controlar as chamas, mas a estação ainda não está totalmente operacional, conforme anunciou o Ministério da Eletricidade, Água e Energias Renováveis.
O presidente dos Estados Unidos já anunciou que os ataques são para continuar enquanto ele entender que assim deve ser. Espera-se, portanto, que a guerra continue, faltando perceber se vai escalar mesmo ou se as duas partes não vão passar de provocações.