Há um número que, nos próximos anos, vai entrar em todos os prospectos de investimento que mencionem Portugal: A+. Em agosto de 2026, a S&P Global Ratings confirmou a notação de crédito soberano de Portugal em A+, mantendo a perspetiva positiva. A agência cita a “resiliência do crescimento económico” e projeta uma descida da dívida pública líquida para 75% do PIB até 2029, a partir de 85% em 2025.
Esta não é uma nota isolada. A Fitch, a DBRS e a Moody’s colocam também Portugal no patamar A, três das quatro principais agências com outlook positivo. Em termos práticos, o risco de crédito português foi comprimido face à Alemanha e as condições de financiamento da República melhoraram, mesmo num contexto de retirada progressiva do BCE.
Durante anos, Portugal foi tratado como um caso de escola de “periferia de risco”. Hoje, o país está no “clube A” das economias europeias mais bem classificadas. E isso muda a forma como o mundo olha para cá.
O rating soberano não é apenas um número técnico; é um termómetro de confiança que influencia diretamente o custo de financiamento, a atração de capital institucional e a perceção de risco país. Ratings mais elevados traduzem-se em spreads mais baixos e menor custo de capital para o Estado e, por arrasto, para o setor privado. Fundos de pensões, seguradoras e gestores de ativos têm mandatos que privilegiam jurisdições com rating A ou superior. Um rating A+ com perspetiva positiva reduz o “prémio de incerteza” que muitos investidores aplicam a Portugal em modelos de alocação de capital.
A S&P destaca ainda que o desemprego caiu para 5,6% em junho de 2026, o nível mais baixo desde 2002, e que os bancos portugueses devem manter uma rentabilidade sólida, com ROE doméstico em torno de 13%. Um mercado de trabalho apertado e um sistema bancário saudável são dois pilares que sustentam a confiança de quem coloca capital de longo prazo.
O rating é a porta de entrada; o que convence o investidor a ficar é o pacote completo. E aqui Portugal tem argumentos que vão muito além da estabilidade macroeconómica. Segurança jurídica e enquadramento europeu: pertença à UE, ao euro e a um sistema judicial alinhado com padrões comunitários. Programas de residência e atração de talento: desde o Golden Visa, agora focado em fundos e criação de emprego, a vistos para nómadas digitais e investigadores, Portugal posiciona-se como hub de mobilidade qualificada. Fiscalidade competitiva para perfis específicos: regimes como o RNH e incentivos à inovação e I&D continuam a diferenciar Portugal no mapa europeu. Qualidade de vida como ativo económico: segurança, clima, oferta educativa internacional e infraestruturas de telecomunicações tornam o país atrativo para famílias de alto património e equipas distribuídas.
Numa altura em que a geoeconomia premia jurisdições estáveis, abertas e previsíveis, Portugal combina rating sólido com um ecossistema de mobilidade e investimento que poucos países europeus conseguem replicar.
O momento é favorável. O rating A+ com perspetiva positiva não é apenas um reconhecimento do passado; é um sinal de que o mercado antecipa continuidade de consolidação orçamental, crescimento resiliente e redução sustentada da dívida. Para investidores institucionais, family offices e empreendedores globais, Portugal oferece acesso ao mercado único europeu a partir de uma base com custos competitivos, talento multilingue e crescente sofisticação em setores como tecnologia, serviços financeiros e indústria, e infraestrutura de suporte a projetos de investimento, desde fundos qualificados até estruturas de private equity e venture capital.
O rating é o selo; a oportunidade é concreta. Portugal está, hoje, entre as jurisdições europeias com melhor combinação de estabilidade macroeconómica, enquadramento legal e qualidade de vida — um trio que, em tempos de volatilidade global, vale mais do que nunca.