O ex-militar português Paulo Nascimento, que assassinou uma colega de trabalho, em 2002, na Irlanda e foi condenado a prisão perpétua, está a tentar ser transferido para Portugal, onde a pena máxima de prisão é de 25 anos.
De acordo com o Irish Times, o português argumenta que a mãe - que vive em Portugal - está doente e precisa da sua ajuda, mas a justificação ainda não convenceu nenhum juiz, pelo que o ex-militar recorreu agora ao Supremo Tribunal da Irlanda com o objetivo de anular a decisão da Comissão de Liberdade Condicional, que negou o pedido de transferência da pena para cá.
Paulo Nascimento encontra-se atualmente em liberdade condicional, mas proibido de sair da Irlanda e monitorizado pelas autoridades policiais, uma vez que foi condenado a prisão perpétua.
O ex-militar do Exército Português já apresentou, desde 2006, três pedidos de transferência. Mas a Comissão de Liberdade Condicional irlandesa recusou todos porque a lei portuguesa não permite a monitorização de um condenado após a saída da cadeia.
Além disso, em Portugal não existe pena de prisão perpétua. A pena máxima é de 25 anos de cadeia, ou seja, se Paulo Nascimento for transferido pode ser libertado já em 2027. A decisão do Supremo da Irlanda será anunciada em novembro.
"Impedido de visitar país de origem"
Além de alegarem que a mãe de Paulo Nascimento precisa da ajuda do filho, por ser idosa, doente e estar impossibilitada de viajar, os advogados do português alegam que a Justiça irlandesa não tem em consideração o facto deste estar "impedido de visitar seu país de origem, reencontrar sua família e ter acesso à sua língua e comunidade".
"Como consequência, o requerente ficou numa situação em que não lhe foi dada qualquer esperança de transferência e enfrenta um período indefinido de residência obrigatória na Irlanda, apesar de Portugal ser o seu país de origem, a sua língua materna ser o português e os seus únicos laços familiares e pessoais estarem em Portugal", lembram.
Mata a sangue frio após roubar 3 mil euros
Paulo Nascimento foi condenado a prisão perpétua pelo Tribunal Penal Central, em 2003, após se declarar culpado do assassinato de Grainne Dillon, de 24 anos, no Jury's Inn Hotel, em Steamboat Quay, Limerick, na Irlanda, no dia 5 de janeiro de 2002.
O português trabalhava há cerca de uma semana como porteiro noturno no Jury's Inn Hotel quando decidiu assaltar o próprio local de trabalho, alegadamente para conseguir voltar para Portugal.
Entre as 4h e as 5h da manhã desse dia, Paulo Nascimento tirou do cofre e das caixas registadoras do hotel 3 mil euros.
Depois exigiu que Grainne Dillon, que era estagiária e a única funcionária do hotel presente no local naquele momento, o ajudasse a colocar o dinheiro da caixa registadora do restaurante, localizado no andar de baixo do edifício, num saco.
Posteriormente, ainda a obrigou a dirigir-se à cozinha e a esvaziar os bolsos, para lhe tirar as chaves e o telefone.
Nesse momento, conta ainda a imprensa irlandesa, a jovem tentou fugir. Paulo carregou a espingarda, que tinha roubado à ex-mulher, disparou contra Grainne à queima-roupa, três tiros.
Os disparos acabaram por atingir a vítima no peito e coxa, provocando-lhe a morte.
De seguida, o português subiu até a recepção, colocou tudo o que tinha roubado dentro de um saco e fugiu. Posteriormente, ainda voltou ao hotel e arrombou o cacifo de um colega para tirar uma camisa limpa, pois a sua estava manchada com o sangue de Grainne.
Após algum tempo em fuga, Paulo entregou-se às autoridades, ao sentir-se encurralado. Um hóspede do hotel tinha-o reconhecido.
Paulo vivia na Irlanda há vários anos quando cometeu os crimes.Tinha terminado um relacionamento e queria voltar a Portugal, mas não tinha dinheiro. Dois dias antes do assassinato, roubou a espingarda e 18 cartuchos de casa da mulher para conseguir levar o seu plano em frente. Mas os seus planos saíram furados.
Em tribunal, o juíz que o condenou a prisão perpétua descreveu o caso como "o crime mais cruel e insensível" que alguma vez tinha passado pelas suas mãos.
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