O presidente da ACEMEL explicou à Lusa que a atualização de 2,7% da tarifa regulada reflete a subida dos preços da eletricidade para entrega nos próximos meses, uma das referências usadas pela Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos (ERSE) na atualização das tarifas. A associação, que reúne 22 associados, não integrando empresas como a EDP e a Galp, representa 15% do consumo.
"A subida de preços nos mercados a prazo tem sido uma constante mês após mês", afirma João Nuno Serra, lembrando que a ERSE pode atualizar a tarifa regulada ao longo do ano em função dessa evolução.
Apesar do peso crescente das energias renováveis na produção elétrica em Portugal, o gás continua a ter influência na formação dos preços. João Nuno Serra explica que, nas horas em que há menor produção renovável, são frequentemente as centrais a gás que marcam o preço no mercado.
Segundo o presidente da ACEMEL, após o apagão ibérico em 28 de abril de 205 as exigências de segurança da rede aumentaram também a necessidade de assegurar produção com potência firme. "O preço do gás no mercado internacional influencia a formação do preço no mercado de eletricidade", sublinha, apontando ainda a instabilidade geopolítica como um fator de pressão sobre os mercados.
João Nuno Serra admite que os comercializadores do mercado liberalizado poderão também ter de fazer alguns "ajustes" nos preços, mas diz que continuarão a existir ofertas abaixo da tarifa regulada.
Há no mercado ofertas abaixo do preço da tarifa regulada para o novo preço que a ERSE publicou", assegura.
"Não se compreende como é que ainda hoje há pessoas e empresas no mercado regulado", afirma o presidente da ACEMEL, defendendo que no mercado liberalizado é possível encontrar propostas mais competitivas.
João Nuno Serra reconhece, ainda assim, que ganhar quota aos grandes operadores continua a ser difícil. Aponta um "enraizamento" junto dos consumidores portugueses, que continuam a associar o fornecimento de energia aos operadores históricos, como uma das barreiras à mudança.
A ACEMEL vê também no fim previsto da tarifa regulada, em dezembro de 2027, uma oportunidade para reforçar a concorrência.
Segundo o presidente da associação, permanecem atualmente neste regime perto de 800 mil clientes, que terão de transitar para o mercado livre até essa data.
A associação já pediu ao secretário de Estado da Energia, Jean Barroca, um ponto de situação sobre o processo e defende que a transição seja preparada com antecedência.
João Nuno Serra considera que a ERSE e os comercializadores deverão promover campanhas de informação durante o primeiro semestre de 2027, dando aos consumidores tempo para comparar ofertas e escolher um fornecedor.
"Não podemos chegar a outubro ou novembro do próximo ano" e informar os consumidores de que terão de mudar no mês seguinte, defende.
Para a ACEMEL, falta ainda esclarecer de que forma será feita a transição dos clientes que não escolherem voluntariamente um comercializador até ao fim do prazo.
Na semana passada, a ERSE anunciou que a fatura média mensal de eletricidade da maioria dos clientes domésticos do mercado regulado vai aumentar cerca de 2,7% a partir de 01 de outubro.
De acordo com as simulações do regulador, um casal sem filhos passará a pagar 37,77 euros por mês, mais 0,95 euros face a setembro. Já um casal com dois filhos terá uma fatura média mensal de 97,73 euros, mais 2,70 euros.
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