Falando na reunião quinzenal do executivo, João Rodrigues acrescentou que as entidades que tratam do licenciamento daquele tipo de projetos, entre as quais a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), "dizem, neste momento, que não há risco algum para a população em Braga".
"Vivemos num estado de direito democrático e temos de confiar nas instituições. E o que as instituições dizem neste momento é que não há risco algum para a população em Braga, fruto dos processos de mineração das minas, neste caso das minas da Borralha", referiu.
João Rodrigues sublinhou que não quer "menorizar o problema" e assumiu que o município está atento e preocupado, mesmo achando que "não vai acontecer qualquer coisa grave".
"A exploração de uma mina é um projeto que implica riscos (…). Olhamos com preocupação, mas não vou rasgar as vestes só porque, de repente, há uma mina que está a ser explorada".
O assunto foi novamente levado à reunião do executivo pelo vereador do Chega, Filipe Aguiar, que alertou para o eventual risco para a saúde pública da população de Braga, caso a exploração da mina contamine as águas do rio Cávado.
"Eu, no lugar do senhor presidente, faria de uma forma diferente, iria denunciar esta situação e iria trabalhar de forma a que a reabertura ou a reativação da mina não fosse uma realidade", referiu.
Lembrou que a APA deu um parecer favorável condicionado e aconselhou a câmara a não se "refugiar muito" nesse parecer.
"Com especialistas da área, percebemos que há uma série de omissões e lacunas graves nesse parecer. Temos a Águas do Norte que deu um parecer negativo, a EDP deu um parecer negativo, a própria Agere [empresa municipal de água e saneamento de Braga] também pôs uma série de reservas. Portanto, para nós isso é o suficiente para não estarmos sossegados", disse ainda Filipe Aguiar.
A empresa Minerália assinou, em 2021, um contrato de concessão com o Estado para a exploração mineira subterrânea na Borralha.
As minas da Borralha abriram em 1903, encerraram em 1986 e chegaram a ser um dos principais centros mineiros de exploração de volfrâmio em Portugal.
A Minerália garantiu que o "tungsténio da mina da Borralha será explorado com água 100% reciclada e sem captação" em rios, barragens ou aquíferos ou outros recursos hídricos naturais, e "não terá descargas de água industrial para o ambiente", reutilizando a água da chuva "acumulada ao longo de décadas nas galerias subterrâneas".
De acordo com o resumo não técnico, a Minerália – Minas, Geotecnia e Construções Lda. propõe uma exploração subterrânea, durante um período de 15 anos.
Em junho último, a Associação Povo e Natureza do Barroso disse que interpôs uma ação judicial relacionada com a Declaração de Impacto Ambiental (DIA) para o projeto da mina da Borralha, em Montalegre, no distrito de Vila Real.
Em causa está o que a associação considera "um território ambientalmente sensível, localizado em plena Reserva da Biosfera Transfronteiriça Gerês-Xurés, a apenas seis quilómetros do Parque Nacional da Peneda-Gerês, integrado no Sistema Importante do Património Agrícola Mundial (FAO) e numa das mais importantes áreas de recursos hídricos do Norte do país".
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