O jornal norte-americano The New York Times avançou no dia 4 de julho que Pezeshkian tinha ameaçado demitir-se caso o líder supremo iraniano rejeitasse o memorando de entendimento com os Estados Unidos, firmado a 17 de junho, o que terá aumentado a pressão sobre o líder religioso xiita para que aprovasse o acordo.
Masoud Pezeshkian viu-se obrigado a negar esta alegada ameaça de renúncia devido a um conflito com fações mais radicais que se opõem a um acordo com Washington sobre o Estreito de Ormuz. O presidente iraniano assegurou que não se irá demitir, apesar dos rumores de que o líder supremo da República Islâmica, Mojtaba Khamenei, estaria a tentar limitar a sua influência.
“Se alguma vez decidir demitir-me, serei eu próprio a anunciá-lo. Mas não me vou demitir e vou manter-me firme”, disse Masoud Pezeshkian numa entrevista televisiva citada pela agência iraniana Tasnim.
Segundo a mesma agência noticiosa, o diretor adjunto do gabinete de comunicação presidencial, Seyyed Mehdi Tabatabaei, rejeitou também as notícias “infundadas” da demissão de Pezeshkian, classificando-as como uma “mentira descarada”. Criticou ainda “os extremistas políticos por espalharem os rumores”, numa “tentativa de minar a unidade nacional e servir os interesses dos inimigos do Irão”.
Horas antes de se pronunciar sobre a alegada demissão, o chefe de Estado iraniano disse que a República Islâmica não pretende alargar o conflito com Washington, após o homólogo norte-americano, Donald Trump, ter insistido uma vez mais que os países estavam a negociar.
“Defendemos o nosso território, mas não pretendemos uma escalada da guerra nem prolongar o conflito”, afirmou Pezeshkian durante um discurso na inauguração de um projeto de saúde de apoio a famílias, apelando também ao reforço da coesão interna para impedir que “o inimigo” consiga “dividir e destruir” a sociedade iraniana.
“Devemos trabalhar para construir, nas circunstâncias atuais, uma sociedade que não desperte a ganância do inimigo, na qual este não possa intervir nem seja capaz de a dividir e destruir”, afirmou.
Os Estados Unidos e a Europa esperam que seja alcançado em breve um acordo para reabrir o estreito de Ormuz. Trump insistiu na segunda-feira que os Estados Unidos mantêm negociações com o Irão, apesar de Teerão ter negado isso horas antes, uma postura que o republicano classificou de hipócrita.
C/agência