Produção elevada de suínos em 2026 deve limitar alta de preços | CNN Brasil

Tradicionalmente no terceiro trimestre do ano as granjas de suínos produzem mais de olho na demanda crescente, e nos preços melhores, com as festas de fim de ano. Em 2026, porém, a grande oferta deve limitar o avanço das cotações.

Dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) mostram que abate de suínos alcançou 15,58 milhões de cabeças no segundo trimestre de 2026.

Alta de 3,2% em relação ao mesmo período de 2025 e um avanço de 2% frente aos primeiros três meses deste ano.

Com base nesses dados, o Cepea (Centro de Estudos de Economia Aplicada) avalia que o pico de produção da suinocultura este ano seja registrado entre julho e setembro, o que pode limitar os avanços das cotações, inclusive no fim do ano.

A crescente oferta de carne suína segue pressionando as cotações do animal e dos cortes para patamares historicamente baixos. Em julho, o preço do suíno vivo em São Paulo registrou o terceiro menor valor da série histórica do Cepea. O recuo acumulado entre janeiro e julho é de 43%.

De acordo o pesquisador Thiago Bernardino de Carvalho, a produção de suínos no Brasil vem em movimento crescente, estimulada por margens positivas e investimentos.

"Entre 2023 e 2025 a margem foi bastante positiva para o produtor. Coincidiu com a boa precificação do suíno e, principalmente, pelo preço dos grãos em baixa. O produtor se sentiu estimulado a melhorar o rebanho - em termos de manejo, genética, nutrição, sanidade - e assim aumentar a oferta", diz Thiago em entrevista à CNN.

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As projeções da ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal) apontam para um crescimento de 5% na produção em 2026, com um total de 5,87 milhões de toneladas.

As exportações devem crescer 5,9% esse ano, segundo a ABPA, para 1,6 milhão de toneladas embarcadas em 2026.

"Estamos exportando bastante, batendo recordes mensais. Mas todo esse volume a mais de exportação não tem sido suficiente para equilibrar a formação de preço. E mesmo com a demanda interna, até de certa modo razoável, o aumento da produção e da oferta seguem como protagonistas", avalia Thiago Bernardino.

Com isso a oferta no mercado doméstico deve ser de aproximadamente 4,270 milhões de toneladas em 2026, 4,6% a mais.