Em Bangu, moradores bloquearam ruas em protesto contra a demora no restabelecimento do serviço. Em alguns pontos do bairro, cabos de energia continuam rompidos desde a quarta-feira (30), quando o temporal atingiu a cidade.
Na Rua dos Açudes, moradores relataram dificuldades para enfrentar a falta de luz. A aposentada Ivone Santana Pereira contou que cuida da irmã, de 74 anos, que depende de uma cama hospitalar elétrica.
"Sem ela fica difícil. Até para movimentar ela, para dar comida, porque tenho que colocá-la sentada. Fica difícil para dar banho, fica difícil para tudo", disse.
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Quatro dias após vendaval, cerca de 4 mil clientes da Light ainda estão sem energia — Foto: Reprodução/TV Globo
A falta de energia também provocou prejuízos para quem depende de medicamentos refrigerados. A pensionista Marlene Franco, que é diabética, perdeu toda a insulina armazenada na geladeira.
"Perdi. Joguei fora porque estava quente. Uma amiga que trabalha na Clínica da Família conseguiu outra para mim", contou.
Ela lamentou o desperdício dos medicamentos.
"Eu não gostaria de jogar fora. Gostaria de usar porque a próxima que eu pegar vai fazer falta para outra pessoa", afirmou.
A aposentada Alba Valéria Machado disse que também perdeu medicamentos e alimentos.
"Joguei fora insulina, colírio e alimentação. Frango, carne, estragou tudo", relatou.
Ventania no Rio — Foto: Reprodução/Jornal Nacional
A falta de energia também afetou comerciantes da região. A empresária Arlene Franco, dona de uma empresa de salgados na mesma rua, disse que perdeu quase todo o estoque e precisou devolver dinheiro aos clientes.
"Foi um investimento de um mês para cá. A demanda aumentou muito. Comprei esse freezer, enchi de mercadoria. Quatro dias sem luz, não tem muito o que fazer", disse.
Segundo ela, muitos clientes sequer acreditavam que o bairro continuava sem energia.
"Teve gente perguntando se podia buscar os produtos. As pessoas não acreditam que estamos há quatro dias sem luz."
Em Campo Grande, outro bairro da Zona Oeste, a situação também se repete. Em diversas ruas, fios rompidos permanecem no chão mais de 72 horas após o temporal, e moradores continuam sem fornecimento de energia.
Neste sábado (1º), a Defensoria Pública do Estado do Rio de Janeiro informou que entrou com uma ação contra a Light por causa do apagão. O órgão afirmou que solicitou informações sobre o plano de contingência da concessionária e o cronograma para normalização do serviço, mas considerou a resposta insatisfatória.
A Defensoria também argumenta que a interrupção no fornecimento compromete serviços essenciais, como o abastecimento de água, e pede que a Justiça determine a apresentação de um plano de ação, além do pagamento de indenização por danos morais coletivos.
O que diz a Light
A Light informou que já restabeleceu o fornecimento de energia para cerca de 1,1 milhão de clientes afetados pelo vendaval e que trabalha para normalizar o serviço para aproximadamente 4 mil consumidores.
Segundo a concessionária, durante a operação foram priorizados hospitais, clínicas, unidades de segurança pública e clientes com necessidades especiais ou que utilizam equipamentos de suporte à vida.
A empresa afirmou ainda que o plano de contingência foi executado dentro do tempo previsto para um evento dessa magnitude e que os atendimentos estão na fase final para concluir as ocorrências remanescentes.