"Quatro suspeitos foram detidos como pessoas de interesse, e os investigadores procuram uma outra pessoa que acreditam possuir informações relevantes para o caso", explicou a ministra do Turismo e Vida Selvagem, Rebecca Miano, segundo os meios de comunicação social locais.
As detenções ocorreram após uma operação nas localidades de Tikondo e Kimana, no interior do ecossistema de Amboseli, tendo sido recuperados produtos químicos "potencialmente tóxicos e sem rótulo", que se acredita terem sido obtidos num país vizinho.
"A conservação da vida selvagem não pode limitar-se às fronteiras das áreas protegidas, uma vez que os animais selvagens circulam livremente por territórios comunitários, privados e agrícolas. Por isso, a colaboração entre organismos governamentais, comunidades, proprietários de terras, áreas de conservação e outras partes interessadas é indispensável", acrescentou a governante.
Rebecca Miano elogiou as comunidades locais de Amboseli pela "vigilância e cooperação" durante as investigações, nas quais se mostraram dispostas a "partilhar informações e apoiar a operação", demonstrando o seu papel como "parceiros indispensáveis e principais guardiões do património natural" do país.
A ministra recordou que as análises laboratoriais realizadas pelo Serviço de Vida Selvagem do Quénia (KWS, na sigla em inglês) sugerem o envenenamento por cianeto, na sequência da ingestão de tomates contaminados com pesticidas em explorações agrícolas locais.
"Estas conclusões continuam sujeitas a verificação científica adicional antes de a investigação ser considerada concluída", acrescentou.
A hipótese de envenenamento é contestada por guardas florestais e comunidades locais, que apontam para uma possível doença ainda desconhecida, argumentando que outros animais selvagens, o gado e as próprias pessoas consomem estes frutos sem que, até ao momento, tenham sido registadas outras mortes semelhantes.
Entre 1979 e 1989, o Quénia enfrentou um "declínio alarmante" da população de elefantes devido à caça furtiva para obtenção de marfim, que reduziu o número destes animais de 170.000 para 16.000 exemplares, segundo dados do KWS.
As principais ameaças aos elefantes em África são a perda de 'habitat' e a caça furtiva incentivada pela procura de marfim, sobretudo em alguns países asiáticos.
Os Estados partes na Convenção sobre o Comércio Internacional de Espécies da Fauna e da Flora Selvagens Ameaçadas de Extinção (CITES) incluíram, em 1989, o elefante africano nos anexos da convenção e proibiram o comércio internacional de marfim, o que não impediu que a população destes animais diminuísse 60% nos últimos 50 anos.
O Parque Nacional de Amboseli, um dos mais visitados do Quénia e com uma população de cerca de 1.500 elefantes, segundo o projeto de investigação Amboseli Trust for Elephants, resistiu e conseguiu manter um crescimento constante da população desde a década de 1970.

Investigada morte de 15 elefantes num mês em reserva natural no Quénia
Os elefantes morreram na reserva natural de Amboseli, no sul do Quénia, entre 24 de junho e 24 de julho. Testes preliminares detetaram uma possível substância tóxica em amostras dos animais.
Notícias ao Minuto | 11:55 - 29/07/2026