O cantor britânico Robbie Williams, 52, falou pela primeira vez sobre ter um diagnóstico de autismo. Em uma sessão de perguntas e respostas para o lançamento da coleção Outono/Inverno da marca Hopeium, o artista abriu o jogo sobre ter o quadro e também que luta contra pensamentos intrusivos.
O artista também tem TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade) e explicou que ensinou seu cérebro a ser “criativo”.
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O caso de Robbie Williams não é uma ocorrência isolada, uma revisão conduzida pelo King's College London, publicada em 2025, revelou que entre 89% e 97% dos adultos autistas com 40 anos ou mais no Reino Unido não têm diagnóstico formal.
"Quando alguém recebe um diagnóstico de autismo aos 40 ou 50 anos, isso não significa que se tornou autista naquela idade", explica o neurologista Matheus Trilico especialista em TEA (Transtorno do Espectro Autista) e TDAH em adultos. "O que pode acontecer é que determinados sinais tenham passado despercebidos, sido compensados ou recebido outras interpretações ao longo da vida", considera o especialista.
Um ponto importante é que alguns pacientes conseguem realizar uma camuflagem social de seus sintomas. O fenômeno recebe o nome ingl}es de "masking", que significa mascarar-se, e ocorre quando a pessoa, ao longo dos anos, aprende a observar como os outros se comportam e desenvolve estratégias para se adequar às situações. Com isso, ela esconde seus desconfortos e, por fora, parece perfeitamente adaptadas, mas isso exige um esforço.
"Às vezes o adulto chega ao consultório dizendo: 'Eu consigo fazer tudo, mas tudo me custa muito'", relata Trilico. "Esse custo também precisa ser ouvido. Funcionamento aparente e sofrimento interno não são necessariamente a mesma coisa."