O Clássico entre o FC Porto e o Benfica ainda continua a dar que falar, com várias opiniões a serem lançadas para o universo futebolístico durante as últimas horas. Os dragões venceram os encarnados, mas ficou na retina uma arbitragem polémica e uma expulsão que condicionou bastante a partida.
Isto suscitou que Rui Costa reagisse logo após o fim das conferências de imprensa de ambos os treinadores, exigindo uma punição aos portistas pela "tremenda dualidade de critérios" durante o encontro.
Em declarações ao Desporto ao Minuto, o antigo dirigente Gaspar Ramos deixou bem claro que o Benfica só tem de se culpar a si mesmo, não fazendo críticas à arbitragem do Clássico frente ao FC Porto.
"Qualquer uma das equipas podia ter ganho o jogo. Acho que o Benfica ficou marcado negativamente pela atitude do Clément Lenglet. Nem se lembrou que já tinha um cartão amarelo e teve uma atitude daquelas quando devia ser um indivíduo maduro, como penso que foi essa a preocupação do Benfica, foi contratar um central já com outra maturidade. E, no final de contas, ele acabou por ser ainda mais infantil que alguns dos jogadores que andam por lá. E portanto, nós temos que nos queixar primeiro da atitude do nosso jogador", começou por dizer o antigo dirigente das águias.
"Se não tivesse sido isso, provavelmente o Benfica ganhava o jogo. Apesar da forma de jogar do FC Porto não ser fácil. Agora, o Benfica tem melhor plantel, e portanto, estou convencido que, até pela forma como o jogo estava a decorrer, nós éramos capazes de ganhar o jogo", continuou.
Comparado com o seu antecessor, Lenglet acaba por cair na hierarquia face a Nicolás Otamendi, que Gaspar Ramos acredita que não teria aquela atitude desmedida, ainda que o argentino não seja nenhum 'santo'.
"Otamendi também fazia algumas parvoíces, mas, neste caso, estou convencido que, depois de saber que tem um cartão amarelo, não ia tomar uma atitude daquelas. Acho que era mais maduro, neste aspeto, acho que o Otamendi seria mais capaz de tomar decisões maduras do que aquilo que aconteceu com este jogador, que eu conhecia relativamente mal e fiquei com uma péssima impressão dele", reparou.
Clássico podia ter sido diferente
Com uma entrada forte de ambas as equipas, incluindo um Benfica a pressionar muito alto a fase de construção do FC Porto, pelo que ficou um sentimento de 'Clássico inacabado' pela qualidade que o jogo estava a ter até à expulsão.
Gaspar Ramos não tem dúvidas de que o Benfica poderia ter conquistado os três pontos e saído do Estádio do Dragão com um triunfo em caso de ter jogado 11 contra 11.
"Eu estou convencido que o Benfica ganharia o jogo, se tivéssemos jogado 11 para 11. Porque temos mais qualidade, temos melhor plantel - aliás, eu digo que o Benfica tem o melhor plantel do campeonato - e, portanto, nós costumamos dizer que a água mole em pedra dura, tanto bate até que fura, e o que aconteceu foi que o Benfica tinha a posse de bola, estava a fazer pressão alta muito bem", pontuou o antigo dirigente encarnado.
"Portanto, com os desequilíbrios que o Prestianni normalmente faz, e o próprio Rafa pontualmente também, nós acabaríamos por ganhar o jogo. Estou convencido, mas isto é teórico, como é evidente. Agora, os erros pagam-se caros, e foi o que aconteceu", frisou.
Ainda assim, Gaspar Ramos não segue a narrativa contra a arbitragem da equipa de Miguel Nogueira no Estádio do Dragão, garantindo que não foi isso que influenciou o resultado. Seguiram-se críticas para o presidente Rui Costa, que o antigo vice-presidente das águias considera que não devia ter falado sobre a arbitragem.
"Não, não acredito nisso. Eu não sou daqueles que defende que nós não ganhamos os jogos por causa da arbitragem. Salvo situações pontuais, que às vezes há erros que são de tal maneira graves que podem provocar, agora nenhuma destas situações, mais cartão amarelo, menos cartão amarelo, não foi isso que, de algum modo, pôde influenciar o resultado. Agarrar-se a isso é diminuir o valor da nossa equipa", ressalvou.
"O presidente Rui Costa teve mais uma atitude infeliz, porque ele não tinha de se pronunciar sobre a arbitragem do jogo, e muito menos sobre esta arbitragem. Porque, no fundo, nós estamos a diminuir-nos perante o adversário. O Benfica tem uma equipa com qualidade para poder ganhar o jogo e foi só o facto de termos tido um jogador que perdeu a cabeça que nos fez ficar dependentes. Porque, caso contrário, nós tínhamos continuado a marcar a supremacia, porque temos um melhor plantel", criticou de dedo apontado ao líder do clube da Luz.
Nova era com Marco Silva entusiasma
Marco Silva chegou ao Benfica este verão e começou com dois percalços na conta, frente a St. Gallen, na Liga Europa, e diante do Académico de Viseu, na I Liga. No entanto, é notório o trabalho feito até aqui, com um "futebol melhor que a época passada".
"Acontece que, realmente, nós sentimos a equipa a melhorar. Porque nós, no ano passado, tínhamos praticamente o mesmo plantel e a equipa não jogava. Portanto, há ali um novo estilo, uma nova forma de lidar com os jogadores, penso que o estilo que se está a adotar pode, pontualmente, falhar, porque as equipas em Portugal jogam muito fechadas", indicou, antes de continuar.
"Mas a equipa está mais treinada, está mais combativa, e, claro, temos tido a vantagem de ter o Prestianni, que é um jogador que desequilibra. E, portanto, isso beneficia muito uma equipa que tem jogadores desta qualidade", reforçou.
Quanto ao facto de as contas do campeonato poderem estar mais complicadas, Gaspar Ramos não acredita que seja o ponto de situação atual, uma vez que a I Liga vai apenas na sétima jornada.
"É muito cedo. Muitas coisas vão acontecer. E, portanto, se o Benfica mantiver um rendimento acima daquilo que foi o normal o ano passado, praticamente com estes mesmos jogadores, mas com o Prestianni a atingir níveis muito elevados, a ajudar muito a equipa a ir para a frente e a criar os desequilíbrios que depois, se ele não marca, marcam os companheiros, certamente, nós vamos conseguir atingir os objetivos", concluiu.

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Davide Rodrigues Araújo | 10:41 - 21/09/2026