Brasil
Em evento da CNI, ministro José Múcio afirmou que o Brasil investe pouco em Defesa e usou cenário hipotético para defender mais recursos
04/08/2026 20:28
, atualizado 04/08/2026 22:07

O ministro da Defesa, José Múcio, afirmou nesta terça-feira (4/8) que o Brasil não teria condições militares de enfrentar uma eventual invasão dos Estados Unidos. A declaração foi feita durante um evento da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em Brasília, ao defender o aumento dos investimentos do governo federal nas Forças Armadas.
Múcio comentou uma pergunta recorrente da imprensa sobre como o Brasil deveria agir caso os Estados Unidos decidissem invadir o país. Ao responder sobre o cenário hipotético, afirmou que “abriria o portão”.
“Eu vejo os jornalistas o tempo todo [questionando]: ‘Se os Estados Unidos quiserem invadir o Brasil, o que é que o senhor faz como ministro da Defesa?’ Abro o portão”, disse.
Em seguida, explicou a resposta: “Porque a gente não tem equipamento para enfrentá-los e nem tem dinheiro para consertar o portão. Eu prefiro abrir o portão”.
Segundo o ministro, a comparação foi usada para reforçar a necessidade de ampliar os recursos destinados à Defesa. De acordo com ele, o Brasil investe cerca de 1% do Produto Interno Bruto (PIB) no setor, percentual que considera insuficiente para modernizar e equipar as Forças Armadas.
Entre no canal de WhatsApp do Metrópoles
Múcio ressaltou que investir em Defesa não significa que o Brasil planeje “invadir ninguém”. O ministro afirmou que a destinação dos recursos ao setor é “como um plano de saúde”. “A gente escolhe o melhor, torcendo para não precisar usar”, disse.
Tensões entre EUA e Brasil
As declarações ocorreram em meio ao aumento das tensões entre os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump. Nas últimas semanas, os dois países trocaram críticas e adotaram medidas que ampliaram o desgaste nas relações, principalmente em temas ligados ao comércio e à política externa.
Em julho, o governo Trump anunciou duas novas tarifas sobre produtos brasileiros, de 25% e 12,5%. A Casa Branca também prorrogou por mais um ano a emergência nacional relacionada ao Brasil, mantendo em vigor o dispositivo que autoriza o presidente dos Estados Unidos a impor sanções econômicas ao país.
Outro episódio de tensão ocorreu nesta terça, quando o governo americano anunciou a revogação do visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti. A medida foi uma resposta à demora do governo brasileiro em conceder o aval para a nomeação do novo embaixador dos Estados Unidos em Brasília. Antes disso, o Itamaraty havia negado vistos a dois diplomatas americanos.
O evento da CNI discutia a descarbonização do transporte marítimo. Além de Múcio, o encontro reuniu representantes do governo, da indústria e do setor marítimo, e contou também com a participação do comandante da Marinha, almirante Marcos Sampaio Olsen.