"Esta é uma onda histórica de regresso – a maior na Síria em duas décadas – e um profundo sinal de esperança. A melhoria da segurança, o alívio das sanções e a resiliência das comunidades estão a impulsionar esta recuperação", destacou o líder humanitário da ONU, Tom Fletcher.
Numa reunião do Conselho de Segurança das Nações Unidas dedicada aos desenvolvimentos políticos e humanitários na Síria, Fletcher sinalizou, porém, que mais de 5,5 milhões de sírios deslocados ainda não regressaram a casa, incluindo quase 800 mil pessoas que vivem em campos, a maioria mulheres e crianças.
Com apenas 18% dos refugiados sírios a planear regressar no próximo ano, Fletcher advertiu que, sem habitação adequada, escolas, água e financiamento, "os que regressam hoje correm o risco de se tornarem os deslocados de amanhã".
"Devemos continuar a apoiar todos os esforços para que a iniciativa governamental 'Sem Tendas e Sem Campos' alcance o regresso seguro daqueles que optam por fazê-lo", apelou.
O representante da ONU sublinhou ainda que a insegurança localizada sufoca a recuperação.
Os ataques do Estado Islâmico no leste e nordeste do país, a violência esporádica, os desafios da reconstrução e os entraves burocráticos ameaçam uma paz duradoura no país.
Além disso, a escalada da tensão em toda a região do Médio Oriente significa cadeias de abastecimento interrompidas, acesso humanitário reduzido e pressões económicas ainda maiores sobre as famílias sírias.
"Os custos mais elevados do gasóleo — que subiram 40% no início desta semana — afetarão a produção agrícola, o bombeamento de água, a geração de eletricidade, as padarias e o aquecimento à medida que o inverno se aproxima, com consequências desproporcionais para os deslocados internos e outras famílias vulneráveis", alertou Fletcher.
Para as famílias que já enfrentam dificuldades, o aumento dos custos dos combustíveis e dos transportes fará subir os preços dos alimentos, medicamentos e outros bens essenciais, explicou.
Também o cabaz alimentar na Síria aumentou 33% desde junho de 2025, enquanto as tarifas de eletricidade aumentaram em alguns locais "várias centenas por cento", lamentou.
Já o enviado especial adjunto da ONU para a Síria, Claudio Cordone, afirmou que o país fez "avanços importantes" que devem ser "reconhecidos e apoiados", sublinhando que "o progresso deve gerar impulso para novas medidas que visem enfrentar os desafios significativos que ainda persistem".
Defendeu que as autoridades sírias devem concentrar-se em reforçar as instituições responsáveis, ampliar a participação, proteger o espaço cívico e promover a justiça de transição.
Ao mesmo tempo, apelou aos parceiros internacionais para que forneçam "apoio político e prático contínuo para a recuperação, a reconstrução e o regresso seguro, digno e voluntário".
Cordone observou ainda que a ONU está a consolidar a sua presença em Damasco para melhor apoiar a transição política liderada pela Síria e continua empenhada em desenvolver ainda mais a sua parceria com a Síria.
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