"Sporting está a reforçar boas indicações de pré-época"

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Relatório de jogo na Rádio Observador. Altura de falarmos sobre a apresentação aos sócios do Sporting Clube de Portugal, em Alvalade, perante o Mónaco, no emblemático, já começa a ser, já nos últimos anos tem sido, troféu dos Cinco Violinos, conquistado pelo clube leonino. Venceu o Mónaco por 2-0, neste que é também o jogo de apresentação aos sócios. Sporting, que viu Rafael Nel, titular, marcar o primeiro gol e Jesse Derry, um dos reforços para esta nova temporada, vindo do Chelsea por empréstimo, a fazer o segundo, sendo que foi um gol de belo efeito. O Mónaco acabou por passar por muitas dificuldades no Estádio de Alvalade, sem conseguir criar muito perigo. Para abordar este encontro, para dar notas e para nos dizer o que foi o melhor e o pior deste encontro, tenho comigo em estúdio o Filipe Coelho. Filipe, seja de novo bem-vindo à Rádio Observador. Vamos falar deste troféu Cinco Violinos, que fica no Estádio de Alvalade. Quais são as primeiras notas a retirar deste jogo do Sporting?

O primeiro a dizer é que o Sporting, com esta partida, voltou a renovar e a reforçar as boas indicações que tem dado ao longo desta pré-temporada. Depois de goleadas a Celtic e também a Estrasburgo, hoje voltou a dominar o adversário, no caso, o Mónaco, e parece-me que a equipa de Rui Borges acabou por produzir bem mais do que o 2 x 0 que teve como resultado final. O Sporting está num processo de enorme reconfiguração, perdendo referências claras dos últimos anos, entre Uyulmann, Morita, Trincão. Há ainda os casos de Diomande e de Pote, que parecem estar também de saída. Enfim, são jogadores que ainda funcionavam como resquícios da era Rúben Amorim, que parecem estar de malas aviadas. Portanto, há toda uma renovação a ser feita, trabalho adicional para Rui Borges, mas a verdade é que, para já, os indicadores são extremamente positivos e o Sporting, sobretudo na primeira parte, até diria mais, acabou por dar continuidade a esses bons indicadores. Há aqui jogadores que, sendo reforços, estão a integrar-se plenamente na equipa. Desde logo, destacar o Sergio Altamira, que me parece ser um sucessor claro do Morten Hjulmand, como líder até dentro do próprio relvado.

E era uma das maiores questões neste início de novo ciclo, digamos assim, em Alvalade.

Continua a ser, mas parece um pouco mais abreviada com esta imposição imediata do Sergio Altamira, que é um médio muito sóbrio, muito clarividente. É um jogador que consegue também chegar a várias zonas do terreno. Teve detalhes de altíssimo nível na primeira parte, sobretudo na forma como distribuiu o jogo. Enfim, é um médio que dá bastantes garantias ao Rui Borges nesta fase inicial da temporada. Depois, o Doumbia esteve um pouco mais discreto. Ele contra o Estrasburgo jogou numa linha de meio-campo mais adiantada. Hoje foi lançado como número oito, próximo do Altamira, acabou por não ter tanta influência. E depois, resta salientar como reforço o Rodrigo Zalazar, que foi pela primeira vez titular, jogou no apoio ao Rafael Nel. Ainda assim, no Sporting, se calhar, até os maiores destaques, além do Altamira, acabaram por ser o Flávio Gonçalves, que está a ter muito protagonismo nesta pré-temporada. Ele jogou da esquerda para a zona central. É um jogador que, em termos de perfil, se aproxima muito do Pedro Gonçalves. É um jogador de um trato fino, muito subtil, que consegue manobrar bem entrelinhas e hoje, na primeira parte, sobretudo da esquerda para o centro, acabou por ter bastante protagonismo. E o Rafael Nel também, em termos de disponibilidade para pressionar, na forma como se associou com os companheiros. Creio que, ainda assim, lhe falta alguma espontaneidade em termos de finalização. E aí, de facto, fez um gol, é verdade, mas teve mais dois, três lances em que poderia ter sido mais feliz na hora da conclusão.

Filipe, um Sporting, sobretudo na primeira parte, muito dominador e também muito capaz de reagir à perda de bola. Parece que esta vai ser a tendência para esta nova temporada, com um Sporting com meio-campo mais robusto agora.

Sim, essa é outra das notas que fica desta abordagem do Sporting ao mercado, ao nível do reforço que procurou a nível físico também para o setor intermédio, quer com o Altamira, com o Doumbia ou Silas Anderson. São tudo jogadores que são potentes físicos, são jogadores que podem dominar em termos de duelos, conseguem chegar a muita largura do terreno e, portanto, dá essa possibilidade ao Rui Borges quando o jogo for para uma dimensão física. E o Sporting, no ano passado, em algumas partidas, teve alguns problemas nesse aspecto, mas quando o jogo ganhar essa dimensão mais física, aí o Sporting parece ter mais armas esta temporada. O próprio Zalazar é um jogador que, em termos de transporte de bola, traz coisas que nenhum outro médio do Sporting tinha. Portanto, nesse aspecto, creio que o Sporting, se calhar, nesta temporada, será uma versão um pouco menos rendilhada, porque lhe falta Trincão, porque lhe falta Pedro Gonçalves à partida, mas em termos de safanões, de esticões, se calhar, é uma equipa que será mais capaz de se impor por esse ponto de vista aos adversários.

Pedro Gonçalves, que abordavas aí, que acaba por ter, ao que tudo indica, uma noite de despedida em Alvalade, num jogo em que, por exemplo, houve um central, Diomande, que nem sequer nas escolhas entrou.

Sim, o Sporting, em termos de centrais, tem estado bastante limitado para esta pré-temporada, porque o Diomande é um caso de hipotética saída, de quase certa saída para o Nottingham Forest. Depois, o Debast e o Gonçalo Inácio ainda não somaram minutos, até porque estiveram no Campeonato do Mundo. Enfim, a situação do Debast até pode ser mais problemática, porque nem mesmo no mundial jogou e, na altura, o selecionador Belçica até foi algo crítico com o departamento médico do Sporting. Com isso, o Quaresma, de facto, tem tido muitos minutos e tem havido uma grata surpresa nesta pré-época leonina. Falo do Eduardo Felicíssimo, que era até visto mais como médio, médio defensivo, mas que tem feito parelha com o Quaresma e tem dado muito boa conta de si nessa posição. É um jogador muito sereno, mesmo quando salta de posição, consegue emancipar-se, consegue recuperações de bola, tem dado boa nota de si. Portanto, há aqui jogadores que, do ponto de vista da formação do Sporting, acabam por ter mais espaço na pré-temporada e a darem boa nota. O Felicíssimo, o Flávio Gonçalves.

E esta que é a nota para continuar, Filipe

Felicíssimo. É difícil. Creio que se o Inácio regressar em condições normais, será o Inácio titular como central pela esquerda, depois entre o Quaresma e o Debast. O Sporting também contratou o Ibrahima Bá, central do Famalicão, mas que está lesionado e, portanto, não será a opção inicial para Rui Borges, mas creio que o Inácio será um indiscutível. Depois entre o Quaresma e o Debast, o Quaresma parte à frente, porque o Debast tem tido algumas limitações físicas.

Ficará no plantel, no teu entender, ou há aqui margem para rodar, um empréstimo, talvez?

O Felicíssimo creio que vai fazer parte do plantel, até pela versatilidade que tem, porque é um jogador que pode fazer esta flutuação entre equipa principal e equipa B. Portanto, creio que será um jogador de plantel, embora o Frederico Varandas ainda hoje tenha dito que o plantel está claramente em aberto, quer para entradas, quer para saídas. Veremos o que acontece. Eu admito perfeitamente que, confirmando-se a saída do Pedro Gonçalves, ainda vá chegar mais um jogador do último terço ao Sporting, preferencialmente para o corredor central, parece-me plausível. No centro da defesa também é possível que haja mexidas. E depois eu tinha uma expectativa: perceber se o Sporting atacava a posição de lateral direito. À partida, não o fez, mantém Fresneda e Ioannidis, mas creio que era uma posição que mereceria alguma atenção por parte da direção desportiva leonina.

Antes de falarmos um pouco sobre os reforços do Sporting que jogaram hoje, ainda sobre o encontro, a segunda parte, com todas as mudanças que aconteceram, acaba por ser natural num jogo de preparação, mas, por exemplo, o caso do Mónaco mudou a equipa inteira quase de uma vez só. Dois jogos quase separados aqui, Filipe.

Sim, o Sporting acabou por ser mais estável nesse ponto de vista. O Mónaco ainda tem bastantes baixas. Por exemplo, o Lance Dufrasne e o Pogba nem foram utilizados. O Akliouche foi um jogador que esteve no Mundial, era a grande referência criativa desta equipa, se calhar nem vai ficar, porque há o assédio do PSG. Portanto, era um Sporting claramente mais próximo da sua versão final de início de temporada do que propriamente os monegascos. Na segunda parte, destaca a entrada do Luís Guilherme, até trouxe mais coisas do que o Catamo enquanto extremo direito, desequilibrar, conseguiu fazer a assistência para o Nél. Foi um jogador que trouxe, de facto, maior imprevisibilidade. E o Pedro Gonçalves, que jogou 25 minutos sensivelmente, entrou ao intervalo e depois saiu a meio da segunda parte, e aí sim, soando claramente a despedida, mas ainda assim acabou por refinar o jogo do Sporting de forma especial. Metralhinhas no corredor central, mais próximo do Nél. O Silas Anderson também acabou por ter uma entrada positiva, primeiro como número oito, depois baixando mais no terreno. Enfim, o Sporting tem mais soluções do que na temporada passada. É verdade que perdeu aqui as referências da equipa, mas em termos de profundidade de plantel, se calhar, até há mais soluções para Rui Borges.

Que reforço é que gostarias de destacar?

Eu gostei muito do Silas Anderson contra o Estrasburgo, mas creio que hoje o grande reforço foi mesmo o Sergio Altimira, por aquilo que já fomos falando. É um jogador que agarra o meio-campo e aí há muitas semelhanças com aquilo que fazia o Morton e o Umann. É um jogador muito cerebral, muito calmo, dá essa pausa, ainda por cima consegue interferir em termos de construção quando o Sporting procura construir a três e ele baixa para o meio do Quaresma e do Felicíssimo. Mas é um jogador que mesmo quando apareceu até no meio-campo ofensivo, lembro-me de um lance em que ele, com uma receção orientada, acaba por tirar um adversário do caminho, obrigando o adversário a fazer falta e um cartão amarelo. Portanto, é um médio muito completo e que está a encaixar aqui nesta equipa do Rui Borges, de facto, de forma quase perfeita.

Antes do melhor e do pior, sentes, Filipe Coelho, que o Sporting está pronto para arrancar a temporada?

Sim, o Sporting ainda tem aqui mais 15 dias até à primeira jornada. Tem um particular ainda contra o Nottingham Forest, mas creio que é uma equipa que está a dar ótimas indicações. Como disse, tinha goleado o Estrasburgo e o Celtic. Hoje poderia perfeitamente ter goleado o Mónaco, porque criou mais do que o suficiente para isso. Portanto, creio que em termos de modelo, há aqui coisas que estão perfeitamente fincadas. Por exemplo, a questão dos extremos. Há um extremo mais declarado, há outro que é um falso extremo, que parte da esquerda para a zona central. Já ouvimos o Doumbia fazer isso. Hoje vimos o Flávio Gonçalves, o Pedro Gonçalves também pode fazê-lo se ficar no plantel. Portanto, é uma equipa que, em termos de ideia geral, creio que está perfeitamente ligada com aquilo que quer o Rui Borges. Agora é ganhar os índices físicos mais interessantes possíveis e veremos se há algum retoque de final de mercado, sendo que o Sporting, em relação à primeira jornada do campeonato, tem aqui uma baixa importante, que é o Maxi Araújo, que estará de fora. O Nuno Santos também está de fora, o Mangas saiu. Há aqui o jovem Rodrigo Dias, que teve algum tempo de competição.

Até o próprio Fresneda pode, em último caso.

Sim, no limite, o Fresneda também já conhece essa posição, mas enfim, é apenas aqui uma nuance com que o Sporting terá de contar para enfrentar essa primeira jornada.

Filipe Coelho, vamos então ao melhor e ao pior deste Sporting 2, Mónaco 0. A começar pelo melhor.

O melhor, vou escolher dois jogadores que acabam por simbolizar isto que fomos falando. Por um lado, o Eduardo Felicíssimo, simboliza a aposta na formação que o Sporting continua a ter, nomeadamente no Flávio Gonçalves e no Rafael Nel. Destaco o Felicíssimo, porque fora da sua posição base, está a ter um ótimo rendimento, uma boa parelha com o Eduardo Quaresma. É um jogador cada vez mais confortável como central. Depois, destaco o Sergio Altimira, e já falamos o suficiente dele, mas no sentido em que é um reforço que está a aparecer, está a encaixar na equipa do Sporting, está a casar muito bem com aquilo que o Rui Borges pensa para a posição de médio defensivo e, no fundo, simboliza o bom ataque ao mercado que o Sporting fez, quer com o Silas Anderson, o Doumbia, o Zalazar. São jogadores, todos eles, para serem bastante importantes ao longo da temporada.

E vamos então ao pior a retirar deste encontro.

Pior, rapidamente, é falta de frieza que o Sporting evidenciou a nível de finalização. Ficou 2 x 0, mas poderia ter ficado 3, 4, 5. Enfim, há uma série de lances em que o Sporting teve claramente condições para finalizar de outro modo e chegar a um resultado mais dilatado. Aqui apontar o Rafael Nel, que acaba por desperdiçar um pouco. Enfim, Luís Suárez será naturalmente o dono da posição de ponta-lança, mas é algo que o Sporting terá de rever, porque está a criar mais do que aquilo que consegue concretizar e, portanto, fica essa nota. Só realçar, finalmente, o Ioannidis. Veremos se, de facto, funciona como um verdadeiro reforço para esta temporada. Um jogador que já não joga desde fevereiro, teve muitos problemas físicos, mas que eu creio que estando em plenas condições, será também uma arma muito valiosa para esse nível de finalização para o Rui Borges.

Está entregue. O relatório de jogo do Sporting 2, Mónaco 0 é da autoria do Filipe Coelho.