Textos "densos" e conteúdos que ultrapassam as aprendizagens essenciais dos alunos. Biólogos e geólogos apontam falhas na classificação do exame

Ordem dos Biólogos e Associação Portuguesa de Geólogos denunciam um “claro retrocesso” no que toca à ausência de atividade prática experimental no domínio da Geologia

A Ordem dos Biólogos e a Associação Portuguesa de Geólogos apontaram esta sexta-feira falhas técnicas e operacionais na classificação digital do exame nacional de Biologia e Geologia e dizem que houve uma distribuição das classificações diferente da de 2020.

A reflexão, enviada ao ministro da Educação, Ciência e Inovação, Fernando Alexandre, recomenda uma auditoria técnica à plataforma utilizada, bem como uma análise transparente aos resultados obtidos.

No parecer que reflete a apreciação conjunta da Associação Portuguesa de Geólogos e da Ordem dos Biólogos sobre o exame de Biologia e Geologia da 1.ª Fase, que decorreu a 18 de junho, as organizações falam de um “claro retrocesso” no que se refere à ausência de atividade prática experimental no domínio da Geologia.

Consideram que a prova apresentava textos “relativamente extensos e densos”, que exigiam uma leitura e análise cuidadosas para a correta resolução das questões, o que, conjugado com a introdução de um novo modelo de folhas de resposta, justificaria a disponibilização de mais tempo para a realização da prova.

Além do “desequilíbrio entre as duas áreas de conhecimento em avaliação”, as organizações apontam para sugestões de respostas “simplistas”, nuns casos, e para conteúdos que ultrapassam o âmbito previsto nas Aprendizagens Essenciais em vigor, noutros.

No que se refere aos itens de seleção, sugerem que deixe de existir distinção entre itens obrigatórios e opcionais, “sendo considerados apenas os melhores desempenhos dos alunos, em consonância com o número de itens efetivamente contabilizados para classificação”.

O exame de Biologia e Geologia da 2.ªfase decorre esta sexta-feira.

Este ano, os alunos prejudicados pelos constrangimentos nos processos de classificação e divulgação dos resultados das notas poderão realizar exames nacionais numa época especial, que vai decorrer entre 3 e 8 de setembro.

A época especial será aberta a todos os alunos elegíveis para a realização de provas na segunda fase, quer as realizem ou não, e as inscrições decorrem entre 27 e 31 de julho.

Pela primeira vez este ano, os cerca de 300 mil exames nacionais do ensino secundário foram avaliados em formato digital, mas o processo registou várias falhas técnicas.

O ministro da Educação reconheceu os problemas no processo de classificação dos exames nacionais, mas garantiu que nenhum aluno será prejudicado.