Trabalhadores por aplicativo paralisam atividades em protesto contra plataformas em Juiz de Fora

Trabalhadores por aplicativo de Juiz de Fora iniciaram a paralisação programada entre esta segunda (27) e a quarta-feira (29). Após concentração no estacionamento do Carrefour, no Bairro Cruzeiro do Sul, a categoria seguiu pelas ruas da cidade. Centenas de trabalhadores fizeram parte do movimento.

Trabalhadores por aplicativo protestam contra plataformas em Juiz de Fora
(Foto: Felipe Couri)

Por conta da mobilização, iniciada por volta das 16h, a pista da Avenida Rio Branco no sentido Manoel Honório, a partir do cruzamento com a Avenida Presidente Itamar Franco, ficou momentaneamente interditada. O trânsito foi liberado e, no início desta noite, os manifestantes se concentraram no Parque Halfeld.

Durante o período de paralisação das atividades, os trabalhadores afirmam que não realizarão corridas nem entregas pelas plataformas. A decisão foi tomada em assembleia geral realizada em 20 de julho, conforme informado pela Associação dos Motoboys, Motogirls e Entregadores de Juiz de Fora (Ammejuf).

A interrupção das atividades está prevista para terminar à 0h de quarta. Segundo a organização, os trabalhadores permanecerão nas ruas durante a paralisação para conversar com a população sobre as reivindicações da categoria.

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Novas modalidades são alvo de críticas

Entre as principais motivações apresentadas pela categoria estão mudanças nas modalidades de trabalho disponibilizadas pelas plataformas de transporte e entrega. De acordo com os organizadores do movimento, as alterações reduzem os rendimentos e aumentam os custos e os riscos assumidos pelos trabalhadores.

Uma das modalidades contestadas é a “+Entregas”, do iFood. A organização relata que o modelo exige o agendamento prévio de turnos e reduz o pagamento mínimo das entregas de R$ 7 para R$ 3,50. A categoria argumenta que a mudança exige mais horas de trabalho e esforço físico, sem uma remuneração considerada suficiente para cobrir despesas como alimentação, combustível e manutenção dos veículos e das bicicletas.

As modalidades “Uber Passe” e “99 Passe” também são criticadas. Conforme a organização, esses serviços cobram antecipadamente um valor para que o motorista tenha acesso às solicitações dos passageiros durante períodos determinados, como 24 ou 72 horas. Dessa forma, não há garantia de quantidade mínima de chamadas durante o intervalo contratado, o que faz com que situações como falta de demanda, problemas mecânicos e outros imprevistos possam representar prejuízo para o trabalhador.

“Trabalhadores precarizados custam caro a toda a sociedade. Juiz de Fora é uma cidade montanhosa e cheia de subidas íngremes. Exigir que um ciclista pedalando com peso  ou um condutor arcando com o preço do combustível receba R$ 3,50 por quatro quilômetros é desumano. Esse valor não cobre sequer a alimentação ou a manutenção do veículo, resultando em exaustão física, doenças mentais e aumento do índice de acidentes”, pontua a organização do movimento.

Categoria reivindica piso mínimo

Entre as reivindicações apresentadas pela categoria está a criação de um piso mínimo de R$ 10 por corrida ou entrega em trajetos de até quatro quilômetros. A categoria também defende o pagamento adicional de R$ 2,50 por quilômetro percorrido.

A AMMEJUF pede que a população apoie a mobilização e cobre das empresas condições de trabalho consideradas adequadas para motoristas, mototaxistas, motoboys e entregadores que atuam por meio das plataformas digitais.

‘Diálogo contínuo’

Em nota enviada à Tribuna, a Associação Brasileira de Mobilidade e Tecnologia (Amobitec), que representa plataformas e empresas do segmento, informou que as empresas associadas “respeitam o direito à realização de manifestações pacíficas e reforçam que mantêm canais de diálogo contínuo com os profissionais parceiros”.

A entidade também defendeu que o modelo de negócios “busca equilibrar as demandas de todo o ecossistema do delivery – entregadores, lojistas e consumidores – e do transporte individual privado – motociclistas, motoristas e passageiros”.

O texto segue destacando que é necessário “considerar tanto a necessidade de renda de quem trabalha com os aplicativos quanto a realidade econômica dos clientes, que buscam formas acessíveis de utilizar o serviço”.

Segundo a associação, as empresas “seguem abertas ao diálogo para o aprimoramento de iniciativas que garantam mais dignidade, ganhos e transparência”. Uber e 99 informaram que seriam representadas pelo posicionamento da Amobitec.

Procurado pela Tribuna, o iFood também se posicionou por meio de nota. Leia, na íntegra:

“O iFood respeita o direito à manifestação pacífica e à livre expressão dos entregadores e entregadoras. Como empresa brasileira, mantemos desde 2021 uma agenda permanente de diálogo com os profissionais e representantes da categoria para o aprimoramento de iniciativas que garantam mais dignidade, ganhos e transparência.

O +Entregas é mais uma alternativa para os entregadores do iFood, em que o profissional deixa de receber exclusivamente por pedido e escolhe ganhar um valor pelo período trabalhado, com rotas mais curtas e concentradas nas regiões escolhidas, visando mais previsibilidade e rentabilidade. O ganho é composto por dois fatores: um valor fixo por hora disponível e um valor por cada entrega realizada.

Nas regiões em que o +Entregas já está disponível, entregadores que optaram pela modalidade registraram ganho médio superior por hora logada na comparação com o modelo tradicional.

O +Entregas está sendo implementado gradualmente em diferentes regiões do país, e a adesão é totalmente opcional. Quem preferir pode permanecer no modelo tradicional ou alternar entre as modalidades disponíveis na plataforma, sem que isso impacte negativamente a saúde da conta.

O objetivo do iFood é sempre oferecer mais possibilidades de ganhos, maior estabilidade e previsibilidade, permitindo que os entregadores se planejem melhor, conforme seus objetivos, e tenham rentabilidade no fim do dia, mesmo em períodos de menor demanda. O iFood acompanha continuamente a evolução do +Entregas para garantir que a modalidade permaneça competitiva, eficiente e vantajosa para todos, além de seguir ouvindo dúvidas e sugestões dos entregadores.”