No dia em que tem agendada uma reunião com o chefe do Governo israelita na Casa Branca, em Washington, Donald Trump desvalorizou, em entrevista à estação Fox News, a importância da montanha Pickaxe (picareta, em português), uma instalação subterrânea perto da cidade de Natanz, afirmando que pode destrui-la "muito facilmente" se não houver acordo para encerrar as hostilidades com Teerão.
"Sabemos exatamente o que está a acontecer. Mas sim, ouvi Bibi [Netanyahu] anunciar isso. Eu disse-lhe: 'Porque é que não me dizes diretamente? Porque é que precisas de anunciar isto ao mundo inteiro?' Eu sei exatamente o que está a acontecer na montanha Pickaxe. Não é nada de mais", declarou.
Questionado sobre as notícias de que Netanyahu iria abordar as atividades iranianas naquela local, o Presidente norte-americano respondeu: "Não preciso que Bibi me diga isso. Bibi diz-me isso porque quer que eu continue envolvido [na guerra]".
O líder da Casa Branca reforçou que poderia destruir "a maioria" das pontes do Irão "em menos de uma hora" e todas as centrais elétricas num só dia.
A reunião de hoje em Washington será o primeiro encontro dos dois dirigentes desde que os Estados Unidos e Israel lançaram, em 28 de fevereiro, uma ofensiva aérea contra o Irão.
As últimas semanas têm sido marcadas porém por divergências com o líder israelita, que Trump não tem escondido à medida que procura um acordo com o Irão, embora se esforce por atenuá-las.
Na segunda-feira, avisou o primeiro-ministro israelita que ninguém lhe dita as armas que os Estados Unidos vendem a outros países, sobre a oposição de Israel a uma transferência de caças F-35 para a Turquia.
"Ele é meu amigo, e ninguém me diz o que lhe devemos vender", disse Donald Trump a propósito do homólogo turco, Recep Tayyip Erdogan, em declarações aos jornalistas bordo do avião presidencial, durante as quais reconheceu a existência de "pequenas divergências" com Netanyahu, embora tenha ressalvado que os dois continuam "muito próximos".
Há meses que Trump procura um acordo com Teerão para pôr fim a uma guerra impopular entre o eleitorado norte-americano e que fez disparar os preços dos bens petrolíferos, enquanto Netanyahu teme que um pacto entre Washington e a República Islâmica fortaleça o principal país rival na região.
Embora Trump tenha elogiado publicamente o líder israelita, que descreveu como "um primeiro-ministro em tempo de guerra", também admitiu tê-lo chamado de "doido" durante uma tensa conversa telefónica em junho passado sobre os ataques de Israel no Líbano, que ameaçavam um entendimento com Teerão.
O líder da Casa Branca disse na segunda-feira que ordenou a suspensão de vagas consecutivas de bombardeamentos contra o Irão, a pedido dos países mediadores do Médio Oriente, com vista a dar mais uma oportunidade à diplomacia.
O ministro da Defesa israelita, Israel Katz, afirmou hoje pelo seu lado que Israel está "muito ansioso" com o regresso da ofensiva contra a República Islâmica, mas que os Estados Unidos estão adiá-la por receio de represálias contra países da região e de uma crise global no abastecimento de petróleo.
Espera-se que as discussões na Casa Branca se concentrem no Irão, mas também no acordo patrocinado por Washington entre Israel e o Líbano e outros temas regionais como a situação na Faixa de Gaza.
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