Trump interrompe ataques ao Irão e abre espaço à diplomacia. Irão nega negociações

O governo dos Estados Unidos acaba de dar um sinal de abertura nas negociações com o Irão. Pela segunda noite consecutiva, Donald Trump decidiu suspender os ataques ao Irão e, assim, abrir espaço para que a diplomacia entre os dois países possa acontecer.

A confirmação foi dada este domingo pelo embaixador americano nas Nações Unidas, Mike Waltz, numa entrevista à Fox News.

"Estamos a dar algum espaço para as negociações", quando confrontado sobre a estratégia seguida pela Casa Branca, sobre os ataques e retaliações dos EUA contra o Irão e que duram há duas semanas.

Waltz também foi questionado se Donald Trump tinha decidido não intensificar o conflito. O embaixador revelou apenas que "o presidente [Donald Trump] mantém todas as opções em aberto", salientou.

O diplomata negou ainda que as munições de defesa aérea começavam a escassear, tal como foi avançado pelo jornal New York Times. Waltz esclareceu que "as forças armadas dos EUA têm tudo o que precisam para conduzir esta campanha com a eficácia necessária", frisou.

Na madrugada de sexta-feira, os EUA fecharam a 13ª noite consecutiva de bombardeamentos contra o Irão, naquela que é considerada a maior escalada militar desde o cessar-fogo que foi realizado em abril. 

Alguns especialistas em política norte-americana entendem que a interrupção dos ataques nos dois últimos dias é vista como um possível sinal de abertura para uma solução diplomática, embora o governo americano continue a mobilizar forças para a região.

Irão condena ataques feitos pela Ucrânia

O Irão veio esta segunda-feira condenar os ataques feitos a um dos navio quando se encontrava no Mar Cáspio e provocou a morte a um marinheiro e três tripulantes ficaram feridos.

Em conferência de imprensa, o porta-voz do ministério das relações exteriores iranianas, Esmail Baghai,  o ataque atribuído a Kiev foi "absolutamente ilegal e injustificado, contrário à Carta das Nações Unidas, bem como um acto de perigoso aventureirismo que certamente não ficará sem resposta da nossa parte". 

Baghai disse ainda que as consequências do ataque "certamente serão imprevisíveis".

Este sábado, a Ucrânia informou ter lançado ataques com drones a navios que se encontravam no Mar Cáspio e que transportavam material militar do Irão para a Rússia.

Numa publicação na rede social X, o presidente ucraniano  Volodymyr Zelensky disse que a Ucrânia "obteve resultados muito bons com os ataques de longo alcance feitos no Mar Cáspio"

EUA de fora das negociações sobre Ormuz


Entretanto, o ministro iraniano das relações exteriores, Esmaeil Baghaei rejeitou que os EUA tenham participado nas negociações com Omã, a propósito da administração do Estreito de Ormuz.

"As discussões não têm qualquer ligação com os Estados Unidos. Trata-se de uma questão bilateral entre o Irão e Omã", disse o porta-voz do ministério, durante conferência de imprensa. A passagem "permanece fechada", acrescentou Baghaei.

Na sexta e sábado, os vice-ministros das relações exteriores do Irão e de Omã reuniram-se para discutir "princípios compartilhados e mecanismos operacionais" destinados a garantir a navegação segura no Estreito de Ormuz.

Nos últimos dias, a guarda revolucionária iraniana intercetou várias embarcações que tentavam atravessar o estreito fora da rota autorizada.

O Estreito de Ormuz continua a ser um importante foco de tensão entre Teerão e Washington.

As divergências sobre a gestão do espaço navegável acabaram por comprometer o memorando de entendimento, assinado a 17 de junho.