O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, terá seu primeiro encontro, desde a captura de Nicolás Maduro, com Delcy Rodríguez, líder interina da Venezuela, durante sua passagem por Nova York para a Assembleia-Geral da ONU na próxima semana. O ditador deposto está preso na cidade enquanto aguarda julgamento.
A informação foi confirmada pelo embaixador dos EUA na organização, Mike Waltz, nesta sexta-feira (18).
Segundo a agenda divulgada pelo governo americano, Trump chegará a Nova York na segunda-feira (21) e fará seu discurso na Assembleia-Geral na manhã de terça (22). No mesmo dia, participará de uma série de reuniões bilaterais e de uma recepção com líderes mundiais, ocasião em que terá uma conversa reservada com Delcy.
O encontro será informal e não uma reunião bilateral. Ainda assim, coloca a Venezuela entre os temas da passagem de Trump pela principal reunião anual das Nações Unidas, em meio à aproximação entre Washington e Caracas, atualmente sob tutela dos EUA.
A relação entre os dois governos se estreitou desde que Delcy assumiu o poder após uma operação militar americana capturar Maduro, em janeiro deste ano, e passou a negociar diretamente com Trump e com o secretário de Estado americano, Marco Rubio. O encontro em Nova York será o primeiro entre ela e o presidente americano desde então.
A aproximação incluiu um amplo acordo no setor de petróleo. Anunciado no fim de agosto, o arranjo dá aos EUA participação e direitos de controle sobre uma estrutura ligada à exploração de 17 campos petrolíferos venezuelanos, com reservas estimadas em mais de 65 bilhões de barris.
Trump também terá reuniões bilaterais com o premiê britânico, Andy Burnham, e com a primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi. Participará ainda de uma reunião multilateral com líderes do Conselho de Cooperação do Golfo, formado por Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Bahrein, Kuwait e Omã.
Segundo uma autoridade do governo Trump, o Irã deverá ser um dos principais assuntos das conversas ao longo da semana. A Assembleia ocorre em meio à guerra contra o país persa, e Washington autorizou a entrada de uma delegação iraniana menor do que a de anos anteriores para participar das reuniões em Nova York.
O republicano retorna a Washington ainda na terça-feira. No dia seguinte, recebe o líder chinês, Xi Jinping, para uma visita de Estado.
A jornalistas nesta sexta, Waltz disse que o governo americano pretende usar a Assembleia-Geral como espaço para ampliar negociações diplomáticas, ao mesmo tempo em que pressiona por mudanças na organização.
Uma alta autoridade do governo americano afirmou que a gestão Trump ajudou a aprovar uma redução de mais de US$ 1 bilhão no orçamento da ONU e disse que, em meio ao enxugamento da organização, cerca de 3.000 postos na sede estão sendo cortados. Segundo a autoridade, as operações de paz também tiveram redução superior a 25% de seu efetivo.
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A mesma autoridade descreveu a estratégia como colocar a ONU "de dieta" e fazê-la voltar a se concentrar em paz e segurança.
A própria organização, porém, atribui a redução nas missões de paz sobretudo à crise de liquidez provocada pelo atraso e pela falta de pagamento de contribuições de países-membros, entre eles os EUA. O governo Trump fez nesta semana um pagamento de US$ 725 milhões ao orçamento regular da ONU, mas os EUA ainda acumulam mais de US$ 1,3 bilhão em contribuições pendentes a esse orçamento.
Trump deverá abordar em seu discurso, ainda segundo Waltz, a política do governo para o Irã, o plano americano para Gaza e ações dos EUA no hemisfério Ocidental. A expectativa da Casa Branca é que ele apresente sua atuação como uma tentativa de resolver conflitos que, segundo o governo, foram deixados de lado por administrações anteriores.
"Não existe nada parecido com a Assembleia-Geral da ONU", afirmou Waltz. Segundo ele, a concentração de presidentes, primeiros-ministros, chanceleres, empresários e diplomatas em poucos quilômetros de Manhattan cria uma "oportunidade diplomática extraordinária".
O embaixador disse ainda que integrantes do governo passaram a chamar informalmente a reunião de "MUNGA", sigla para "Make the UN Great Again" ("Tornar a ONU Grande Novamente"), uma adaptação de MAGA ("Make America Great Again"), slogan político de Trump.
Trump e ONU
Quando o assunto é Assembleia Geral da ONU, Trump gosta de criticar a organização e diz que a ONU nunca foi capaz de resolver ou acabar com nenhuma guerra. Também costuma criticar a edição do ano passado. Problemas técnicos ocorridos durante sua passagem pela organização passaram a ser apresentados por ele como sinais de que teria sido alvo de hostilidade.
"Lembram daquilo?", disse o republicano a repórteres nesta sexta-feira (18), ao recordar o momento em que a escada rolante parou enquanto ele e a primeira-dama, Melania Trump, se dirigiam ao plenário.
Trump voltou a sugerir que o episódio teria sido intencional. "Eu instalei muitas escadas rolantes. Elas não fazem isso, a menos que alguém queira", afirmou.
O presidente também reclamou de problemas com o teleprompter durante o discurso que fez no ano passado. Segundo ele, o operador do equipamento chegou a ser impedido de retornar à sala de controle, deixando a tela sem texto durante parte da fala. Trump disse que o episódio provavelmente ocorreu "de propósito", sem apresentar provas.
Na ocasião, a ONU afirmou que a parada da escada provavelmente foi provocada pelo acionamento de um mecanismo de segurança por um integrante da equipe americana que filmava Trump.