União Europeia avisa que países candidatos ao bloco europeu não devem glorificar criminosos de guerra como Ratko Mladic

por Lusa,    7 Setembro, 2026

União Europeia avisa que países candidatos ao bloco europeu não devem glorificar criminosos de guerra como Ratko Mladic
Fotografia de Alexey Larionov / Unsplash

A União Europeia avisou que a glorificação de criminosos de guerra é inadmissível em países candidatos ao bloco, numa alusão a Ratko Mladic, cujo funeral se realiza hoje na Sérvia.

Em comunicado, o porta-voz da UE para os Negócios Estrangeiros Christian Wigand recordou que Ratko Mladic “foi um criminoso de guerra condenado, responsável pela prática de crimes de guerra, genocídio e crimes contra a humanidade”.

“Morreu enquanto cumpria uma pena de prisão perpétua por crimes contra a humanidade e pelo genocídio de Srebrenica”, salientou, lembrando que, em 2017, o Tribunal Penal Internacional para a antiga Jugoslávia condenou Mladic a “prisão perpétua, descrevendo os seus crimes como estando entre os mais hediondos” na história da humanidade.

“Qualquer glorificação de criminosos de guerra, negação de genocídio ou revisionismo histórico contradiz os valores europeus mais fundamentais e não tem lugar na UE nem nos países candidatos à adesão à UE”, defendeu.

Para a UE, “a reconciliação e as boas relações de vizinhança nos Balcãs Ocidentais continuam a ser fundamentais para construir um futuro partilhado”.

O porta-voz acrescentou que a UE é “parceira de todos os países dos Balcãs Ocidentais, apoiando os seus esforços para promover a reconciliação e a estabilidade regional, bem como para encontrar e aplicar soluções definitivas e inclusivas” para questões litigiosas que ainda os opõem.

Ratko Mladic morreu na semana passada, aos 84 anos, em Haia (Países Baixos), onde cumpria pena de prisão por genocídio, crimes de guerra e crimes contra a humanidade cometidos durante a guerra da Bósnia na década de 1990.

Os restos mortais, transportados para a Sérvia num avião do governo, foram recebidos em Belgrado na quinta-feira com honras militares.

O caso está a causar mal-estar entre a Sérvia, liderada pelo populista Aleksandar Vucic, e a UE, além de ter motivado outras críticas, como do Conselho da Europa.

O antigo líder militar sérvio bósnio será sepultado num cemitério de Belgrado, num funeral que poderá ser assistido por milhares de pessoas, apesar da condenação internacional.

No sábado, cerca de 300 pessoas assistiram à cerimónia num local militar em Belgrado, organizada por uma associação de generais do exército sérvio que ainda estão ativos ou reformados, relatou a agência de notícias AFP.

Ex-soldados, o filho Darko Mladic e outros membros da família estavam presentes.

O ministro da Justiça sérvio, Nenad Vujic, o presidente da entidade sérvia da Bósnia, a Republika Srpska (RS), Sinisa Karan, e dois ministros sérvios da Bósnia também estiveram presentes.


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