Vesam de Cantanhede investe dois milhões em fábrica para ‘atacar’ Defesa e Espaço

Estrutura metálica criada pela Vesam destinada ao setor de aeronáutica. Estrutura foi pré-montada em Cantanhede e expedida para os EUA.

A Vesam vai investir cerca de dois milhões de euros numa nova nave industrial em Cantanhede, adicionando mais de 2 mil metros quadrados de capacidade produtiva, para responder ao aumento de encomendas do setor de defesa, espaço, aeronáutica e industrial. A fábrica deverá arrancar com a construção em outubro e entrar em funcionamento em 2027. Defesa, área onde a Vesam fornece estruturas metálicas para construção naval militar e sistemas de lançamento de projéteis e que já representa 20% do negócio, e Espaço são setores estratégicos para o crescimento.

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“A Vesam tem vindo a investir de forma contínua no reforço das suas capacidades produtivas. Para além das três unidades produtivas que possuímos, em Cantanhede, pensamos iniciar a construção de mais uma. O objetivo passa por aumentar a capacidade produtiva, reforçar a capacidade de integração de equipamentos mais complexos e manter os elevados padrões de qualidade e competitividade”, adianta Filipe Santos, fundador e CEO, ao ECO/eRadar.

Com cerca de dois mil metros quadrados de área, a nova nave “deverá complementar as capacidades atualmente existentes, reforçando sobretudo as áreas de pré-montagem, integração de equipamentos e estruturas de maior complexidade”, uma fase “crítica” para este tipo de equipamentos.

“Por exemplo, um Launch Pad Structure (estrutura da plataforma de lançamento de uma nave espacial), depois de fabricada e antes de ser pintada tem que ser totalmente montada e testadas todas as ligações. A Vesam já faz isso, mas com esta nova nave industrial, pretendemos aumentar não apenas a capacidade instalada, mas também a eficiência dos fluxos produtivos e a flexibilidade para responder a projetos de maior dimensão”, explica o CEO.

A nova unidade — que se junta às três já existentes — aumenta em “cerca de duas vezes a área atual de pré-montagem e teste de equipamentos”, implicando um investimento de “cerca de dois milhões de euros”. “Trata-se de mais um investimento estratégico, alinhado com a visão de longo prazo da empresa e com a ambição de reforçar a sua competitividade internacional”, aponta Filipe Santos.

“Esperamos iniciar o investimento em outubro e tê-lo completamente funcional em meados de 2027“, aponta em termos de prazos de execução.

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Embora a futura unidade esteja preparada para servir diferentes áreas de atividade, o investimento visa, sobretudo, “acompanhar o crescimento esperado nos setores da aeronáutica, espaço, defesa e indústria de elevado valor acrescentado. São mercados onde a Vesam tem vindo a consolidar a sua posição e onde verificamos um forte potencial de crescimento nos próximos anos”, refere o CEO.

Defesa é setor “estratégico”

A aeronáutica ainda é “uma das áreas mais relevantes da atividade” da empresa, sendo um setor que “continua a crescer e a ganhar peso” na operação, representando cerca de 50% da faturação.

Trabalhamos com alguns dos principais players internacionais do setor, em várias partes do mundo, participando no desenvolvimento e fabrico de estruturas, equipamentos industriais e soluções especiais para instalações aeronáuticas. Os nossos projetos destinam-se sobretudo aos mercados europeu e norte-americano”, adianta Filipe Santos.

Trabalhamos essencialmente para grandes integradores europeus e empresas de referência da indústria da defesa, participando em cadeias de fornecimento internacionais. Os projetos destinam-se, sobretudo, a mercados europeus, embora muitos acabem integrados em programas com alcance global.

Mas a companhia está a olhar com crescente interesse para o setor de defesa, uma “área estratégica” para a Vesam e onde já têm vindo a desenvolver trabalho ao nível de fornecimento de estruturas metálicas. “Atualmente, trabalhamos sobretudo em duas áreas: a construção naval militar e o desenvolvimento e fabrico de estruturas e equipamentos associados a sistemas de lançamento de projéteis”, diz o CEO.

“Trabalhamos essencialmente para grandes integradores europeus e empresas de referência da indústria da defesa, participando em cadeias de fornecimento internacionais. Os projetos destinam-se, sobretudo, a mercados europeus, embora muitos acabem integrados em programas com alcance global”, refere ainda, embora sem adiantar quais as empresas, nem mercados específicos, dado a confidencialidade dos negócios neste setor.

“Os prazos de entrega variam consoante a complexidade dos projetos, diria que entre um a dois anos. Mas a tendência é para ciclos cada vez mais curtos, exigindo elevada capacidade de industrialização, planeamento e execução”, acrescenta.

Filipe Santos, CEO da Vesam.

Hoje este setor já representa “20% do volume de negócios da Vesam”, mas, “é uma das áreas com maior potencial de crescimento”, acredita o responsável da empresa de Cantanhede.

“Para o próximo ano, antecipamos um aumento da contribuição para os resultados da empresa, impulsionado pelo reforço dos investimentos europeus, pelo crescimento do número de projetos em fase de adjudicação e desenvolvimento e ainda pelo aumento do conhecimento da Vesam neste setor”, aponta, sem precisar valores.

“O reforço do investimento europeu na defesa tem vindo a traduzir-se num aumento das oportunidades e num maior número de consultas para projetos de elevada exigência técnica, onde a capacidade de engenharia, fabrico e controlo de qualidade são fatores críticos. É um segmento que tem vindo a crescer e que acreditamos continuará a ganhar relevância nos próximos anos”, justifica.

Primeiros passos no Espaço

Setor alvo de renovado foco de interesse no atual momento geopolítico, o Espaço é outra das áreas para as quais a empresa está apostada. “É uma área onde a Vesam começa a dar os primeiros passos e que consideramos estratégica para o futuro”, garante Filipe Santos.

Estamos a desenvolver ao primeiros projetos relacionados com infraestruturas e equipamentos para aplicações espaciais, incluindo estruturas para antenas, telescópios e plataformas associadas ao setor.

“O Espaço é uma área estratégica para a Vesam porque existe uma forte ligação entre as competências que já possuímos em engenharia, fabrico de estruturas complexas e integração de equipamentos e as necessidades deste setor”, justifica o CEO.

“Estamos a desenvolver ao primeiros projetos relacionados com infraestruturas e equipamentos para aplicações espaciais, incluindo estruturas para antenas, telescópios e plataformas associadas ao setor”, revela.

“Nestes projetos espaciais [a Vesam] ocupa a função de Tier 2, ou seja fabricamos estruturas e equipamentos para empresas que são main contractors Temos assistido a um aumento do número de oportunidades e contactos dessa empresa que reconhecem a experiência que a empresa acumulou nos setores da aeronáutica e da defesa. Acreditamos que esta tendência continuará nos próximos anos, acompanhando o crescimento dos programas espaciais europeus e o reforço dos investimentos em soberania tecnológica”, detalha.

Mercado externo vale mais de 90% da receita

Com sede em Portugal, a Vesam tem ainda filiais em França e nos Estados Unidos, refletindo “estratégia de internacionalização e proximidade aos principais mercados”.

“Desenvolvemos toda a atividade de engenharia, Investigação & Desenvolvimento e fabrico em Portugal. Sendo realizada a montagem nos mercados finais do produto, nomeadamente Reino Unido, Alemanha, França e EUA. No caso, destes dois últimos países as nossas filiais que lá se encontram permitem realizar o trabalho comercial e administrativo”, descreve Filipe Santos.

Os mercados internacionais representam mais de 95% da atividade da empresa, com especial destaque para a Europa e América do Norte, regiões onde a Vesam tem vindo a consolidar a sua presença e a desenvolver projetos de elevada complexidade técnica. Em África, a empresa tem-se especializado na execução de pontes, ultrapassando já as 200 unidade projetadas, fabricadas e montadas.

“Estamos continuamente a avaliar novas oportunidades de presença local em mercados estratégicos, sobretudo aqueles onde já existe uma base consolidada de clientes nos setores industrial, aeronáutico, espacial e de defesa. Qualquer decisão será tomada em função da evolução da procura e das oportunidades concretas de negócio”, diz o CEO quando questionado sobre eventuais expansões para outros mercados.

Hoje o mercado externo representa a larga maioria da faturação. “Atualmente, os mercados internacionais representam mais de 95% da atividade da empresa, com especial destaque para a Europa e América do Norte, regiões onde a Vesam tem vindo a consolidar a sua presença e a desenvolver projetos de elevada complexidade técnica. Em África, a empresa tem-se especializado na execução de pontes, ultrapassando já as 200 unidade projetadas, fabricadas e montadas”, diz.

A companhia registou um “volume de negócios global próximo dos 10 milhões de euros, refletindo uma trajetória de crescimento sustentado e de crescente internacionalização”. E para 2026, a estimativa é manter a mesma evolução positiva. “Para este ano, a expectativa é de continuação do crescimento, suportada pelo aumento da atividade nos setores industrial, aeronáutico, espacial e de defesa”, diz.

Um crescimento que poderá passar pelo reforço dos atuais cerca de 60 profissionais, especializados maioritariamente em engenharia, gestão de projeto, fabrico, qualidade e montagem. “O crescimento da atividade tem vindo a gerar necessidades de recrutamento, particularmente em áreas de engenharia mecânica e estrutural, gestão de projeto, soldadura especializada, qualidade, fabrico industrial e montagem”, afirma.

Por forma a captar talento, a empresa criou a Vesam Academy que funciona como uma “verdadeira incubadora de talento”. “Recebemos estudantes das áreas de Engenharia Civil, Engenharia Mecânica e Engenharia e Gestão Industrial, de toda a Europa, desafiando-os a desenvolver projetos reais para clientes e mercados globais. O objetivo não é apenas formar futuros colaboradores, mas também contribuir para o desenvolvimento das competências que a indústria portuguesa e europeia necessitam para competir nos setores de maior valor acrescentado, como a aeronáutica, o espaço e a defesa”, explica.