Wattkraft identifica o armazenamento e a flexibilidade como motores da próxima etapa do setor solar

A energia solar atravessa uma nova etapa de maturidade, após anos marcados pelo crescimento da capacidade instalada e pela redução dos custos. O setor enfrenta agora o desafio de integrar, de forma eficiente, toda essa energia renovável no sistema elétrico.

Esta foi uma das principais conclusões retiradas pela Wattkraft Iberia na sequência da sua participação na Intersolar Europe 2026, o principal encontro europeu do setor que aconteceu este mês de julho. Para a empresa, o debate já não se centra apenas na quantidade de megawatts que podem ser instalados, mas também na forma como essa energia pode ser gerida, armazenada quando necessário e utilizada nos momentos de maior valor para o sistema.

“Estamos a entrar numa nova etapa. A produção de energia renovável já é uma tecnologia madura e competitiva. Agora, o desafio passa por tirar o melhor partido dessa produção e garantir que gera mais valor, tanto para os utilizadores como para o conjunto do sistema”, explica Jesús Heras, Technical Director da Wattkraft Iberia.

Espanha antecipa alguns dos desafios que irão marcar o futuro do setor

Espanha encontra-se numa posição particularmente interessante neste processo. O crescimento da energia fotovoltaica registado nos últimos anos está a colocar o mercado nacional perante desafios que, previsivelmente, se estenderão a outros países europeus à medida que a penetração das energias renováveis aumentar. O surgimento de excedentes de energia, os períodos com preços muito reduzidos ou mesmo negativos em determinadas faixas horárias e a necessidade de deslocar parte da produção para momentos de maior procura refletem a crescente importância da flexibilidade no sistema elétrico.

Como consequência, as prioridades dos clientes, promotores e investidores também estão a mudar. O interesse já não se centra apenas em produzir mais energia, mas em maximizar o valor de cada quilowatt-hora gerado. “Cada vez sentimos um maior interesse em saber como armazenar, gerir e otimizar a produção disponível. O foco está em deslocar-se dos megawatts instalados para o aproveitamento efetivo de cada quilowatt-hora gerado”, afirma Heras.

O armazenamento ganha protagonismo para além da capacidade instalada

O armazenamento consolidou-se como um dos grandes temas em debate durante a Intersolar 2026. A sua presença transversal em praticamente todos os segmentos do mercado evidenciou até que ponto a flexibilidade se está a tornar uma prioridade para a indústria. Para a Wattkraft, esta tendência reflete uma evolução do próprio papel do armazenamento no setor. As baterias estão a deixar de ser encaradas apenas como uma ferramenta para armazenar excedentes, passando a desempenhar funções cada vez mais ligadas à flexibilidade, à gestão da energia e à operação do sistema elétrico.

Esta mudança irá impulsionar, nos próximos anos, o desenvolvimento de sistemas BESS ligados à rede, instalações industriais behind-the-meter e soluções híbridas que combinam produção de energia renovável e armazenamento.

Ao mesmo tempo, tecnologias como o Grid Forming começam a assumir uma relevância crescente, ao permitirem que os sistemas de armazenamento contribuam para a estabilidade da rede através de funções como a regulação da frequência, o suporte de tensão ou o arranque autónomo.

A integração torna-se o novo eixo de desenvolvimento

A par do crescimento do armazenamento, a Wattkraft identificou uma crescente convergência entre tecnologias que, até há poucos anos, se desenvolviam de forma praticamente independente. A energia fotovoltaica, o armazenamento, a mobilidade elétrica e os sistemas de gestão evoluem para modelos cada vez mais integrados, impulsionados pela necessidade de otimizar recursos, melhorar a eficiência operacional e responder a um contexto energético cada vez mais complexo.

Esta transformação é particularmente visível na mobilidade elétrica. A expansão das infraestruturas de carregamento rápido e ultrarrápido está a favorecer modelos que combinam produção de energia renovável, armazenamento e carregamento de alta potência numa mesma instalação. “Acreditamos que a próxima fase da transição energética não passará apenas por instalar mais energias renováveis, mas por integrá-las melhor. A capacidade de coordenar a produção de energia, o armazenamento, a mobilidade elétrica e a gestão inteligente serão cada vez mais importantes para garantir a eficiência e a estabilidade do sistema”, acrescenta Heras.

As soluções apresentadas na Intersolar refletem esta evolução

Grande parte destas mudanças também pôde ser observada nas soluções apresentadas pela Huawei FusionSolar durante a feira. O crescente protagonismo do armazenamento materializou-se em novas propostas para aplicações residenciais, comerciais, industriais e utility-scale, orientadas para proporcionar uma maior flexibilidade operacional e assumir um papel mais ativo na gestão da rede.

Neste contexto, destacou-se a LUTERRA, a nova geração de sistemas de armazenamento da Huawei, desenvolvida para responder às necessidades dos futuros sistemas elétricos através de capacidades avançadas de estabilidade, gestão e suporte à rede.

Esta proposta exemplifica a evolução que o setor está a atravessar, na qual as baterias começam a assumir funções cada vez mais abrangentes e a desempenhar um papel ativo na infraestrutura elétrica.

Esta abordagem esteve também presente nas novidades relacionadas com a mobilidade elétrica. As novas soluções de carregamento ultrarrápido apresentadas durante a feira foram concebidas para serem combinadas com instalações fotovoltaicas e sistemas de armazenamento, facilitando a implementação de infraestruturas de alta potência e otimizando o aproveitamento da produção de energia renovável disponível.