A agulha sobe e desce, paciente, arrastando o fio pelo tecido da camisola. Ponto após ponto, vai preenchendo o contorno de uma estrela colocada por cima do emblema. Quem a borda talvez não pense nisso, mas aquele pequeno desenho não representa apenas um icone. É um lembrete permanente do que aconteceu naquela noite. É assim acabada de bordar a segunda estrela que paira sobre o emblema espanhol.
"O Sporting perdeu a final da Taça porque, simplesmente, não competiu." Depois do arraso à equipa na sequência da derrota com o Torreense no Jamor, em maio passado, Frederico Varandas passou das palavras aos atos nos meses que se seguiram. O presidente do Sporting pegou na vassoura e iniciou uma revolução no plantel, com meia equipa titular a mudar de ares. Saídas como a de Hjulmand ou Morita já estavam decididas antes, mas não deixam de contribuir para a fotografia geral: Varandas quis sangue novo no balneário, deixando claro que não há intocáveis.
O Mundial terminou com a vitória da Espanha. Não poderia ter havido vencedor mais justo. Os nossos vizinhos portaram-se muitíssimo bem do princípio ao fim da prova e, como prova do seu requinte internacionalista, tiveram o bom gosto de não ganhar à seleção de Cabo Verde que foi a grande vencedora do prémio de simpatia da prova. O empate sem golos frente à equipa da antiga colónia portuguesa foi o único jogo que a Espanha não ganhou tendo-se revelado ao mundo, nesses 90 minutos sem golos jogados em Atlanta, a estrela maior do mundial dos remediados, o guarda-redes Vozinha que, aos 40 anos e sem clube, fez sete defesas impossíveis garantindo o nulo e a celebridade eterna. Depois do seu 0-0 inaugural com os valentes cabo-verdianos a Espanha levou de vencida tudo e todos que lhe apareceram pelo caminho, incluindo Donald Trump, despachando sem piedade seleções iludidas sobre as suas reais capacidades, como Portugal, e seleções que eram francamente superiores nas suas capacidades, como a França, mas a quem faltou aquele “je ne sais quoi” que faz os campeões.
A Assembleia da República recomendou ao Governo a reorganização das Forças de Segurança no sentido de identificar funções que possam ser executadas por civis para, desta forma, libertarem os Polícias.
“Inaceitável”.
A palavra é de Marco Silva e poucos serão os benfiquistas que não concordarão
com o novo treinador. Isto mesmo sabendo que ainda falta integrar jogadores e
há reforços para chegar. Mas o St. Gallen não deixa de ser o que é. Uma modesta
equipa suíça que não pode dominar o Benfica. Ou derrotá-lo sequer. Mais do que
isso, dar a imagem de que chegava sempre primeiro. Houve problemas de atitude,
de intensidade e de talento desperdiçado. E penso que foi por tudo isto que
Marco Silva conotou a exibição como inaceitável. Confesso, estou de acordo.
Donald Trump não é Calígula. Decerto não gostaria de usar o nome (“pequena bota”), contrário aos seus parâmetros de masculinidade, mas também não lhe invejaria a extensão do mandato (de 37 a 41 d.C.) ou dos poderes - os seus próprios excedem quaisquer outros. Além disso, não vou incorrer na deselegância de comparar o prestimoso presidente da FIFA, Gianni Infantino, a “Incitatus”, o cavalo de corrida “impetuoso” que o imperador romano amava acima de quase todas as coisas. Porém, a recente propositura de Infantino para o cargo de secretário-geral da ONU (não mais surpreendente do que a atribuição do Prémio da Paz da FIFA a Trump) evoca o episódio da indigitação do cavalo para cônsul por Calígula. A nomeação de “Incitatus” nunca se terá concretizado (Suetónio refere apenas o projeto) e o anúncio foi entendido como meio de desvalorizar e ridicularizar o Senado. Ora, terá Trump, apesar de mais afeiçoado às redes sociais, começado a ler “As Vidas dos Dozes Césares”? Talvez colha aí uma lição. Não vale a pena ficar na História a qualquer preço. Que o diga o excêntrico Calígula, recordado para sempre pela crueldade e pelos abusos de poder.
O Ministério Público arquivou o processo sobre a montaria na Azambuja em que foram abatidos mais de 500 animais em 2020. O massacre de veados, gamos e javalis na Herdade da Torre Bela acaba assim em total impunidade, à exceção de uma multa de três mil euros à proprietária, quando a caçada lhe rendeu mais de 13 mil. O MP decidiu ilibar os suspeitos da carnificina, a maioria espanhóis mas também alguns portugueses, lembrando que houve animais que “escaparam aos caçadores”. E justifica a decisão com o facto de não se tratarem de espécies protegidas e de não terem sido “eliminados exemplares em número significativo”. Rever na minha memória a imagem de centenas de veados mortos espalhados pelo chão da herdade - que gerou uma onda de indignação e levou inúmeras associações e até do ministro do Ambiente a pedirem Justiça - é algo que me deixa fisicamente agoniada. Mas as lacunas na lei servem para isso mesmo: para defender quem acha que massacrar centenas de animais é a melhor forma de abrir caminho para a construção de uma central fotovoltaica. É mais um caso em que os interesses se sobrepõem à Justiça e até à moralidade. Infelizmente há muitos desses no nosso país...
O Mundo vive uma crise permanente, um pouco na lógica de Robert D. Kaplan. Os atuais conflitos arrastam-se sem um fim à vista. O envolvimento direto dos EUA na guerra contra o Irão é uma espécie de guerra de punição. E por isso tem um tempo. O tempo da aceitação das exigências consideradas pelos EUA, nomeadamente: a desistência do Irão enriquecer urânio para fins militares, resolvendo no imediato o problema do urânio remanescente e garantir a livre circulação no Estreito de Ormuz. O Irão ou negoceia estas exigências, ou assume a escalada do conflito, ou então aceita a continuação do conflito em modo de baixa intensidade por tempo indeterminado. Transformar esta guerra num conflito existencial, como o querem fazer os dirigentes do regime iraniano, pode estender e complicar o parâmetro do tempo da guerra, politicamente desejado pela Administração Trump. Também na Europa, a Rússia de Putin não sabe como sair de um problema que criou ao invadir a Ucrânia. Aqui o tempo da guerra vai correndo ao sabor dos êxitos, das vitórias e derrotas nos campos de batalha e que agora se estendem até Moscovo. Por tudo isto estes conflitos começam a ser “guerras de paciência”. Muita paciência!
A quantidade de água desperdiçada em Almada é cerca de um terço da disponível, acima da média nacional, que é de um quarto. Trata-se de um absurdo só possível porque muitos autarcas veem na substituição das tubagens um desvio de recursos para aquilo que dá votos, sejam piqueniques, ‘concertos’ abaixo de pimba ou bandeirolas para o ‘Preço Certo’.
José Luís Carneiro anda feliz como um cuco. Não admira: as sondagens são-lhe simpáticas e ele acredita que encontrou o caminho para o poder. Como? Evitando os três principais erros de Pedro Nuno Santos. Primeiro erro: rejeitar Orçamentos sem os conhecer. Se o Governo não enveredar por revisões constitucionais com o Chega nem ‘privatizar’ a Segurança Social, há espaço para conversas e, quem sabe, entendimentos. Segundo erro: promover ‘geringonças’ com a esquerda radical que a maioria do país teme e rejeita. Carneiro, ao contrário de Pedro Nuno, aprendeu o significado da maioria absoluta que os portugueses ofereceram a António Costa. Terceiro erro: ter pressa em lá chegar. Carneiro não tem pressa, sobretudo quando o governo se vai atolando em erros (Educação) e suspeitas graves (Administração Interna) que o eleitorado do centro começa a penalizar.