Opinião
Colunistas
Eduardo Dâmaso
Montenegro confirmou, no Pontal, velhas suspeitas. Não percebe que, numa democracia liberal, a comunicação social não existe para distribuir proporcionalmente elogios e críticas ao Governo. A sua função é selecionar aquilo que considera mais relevante para o interesse público. Muitas vezes, isso significa investigar erros, conflitos de interesses, falhas administrativas ou comportamentos eticamente questionáveis. O Governo pode discordar desses critérios. O que não pode é partir do princípio de que há um dever de compensação. Chamar-lhe “censura moderna” é, por isso, mais do que um exagero retórico. É usar um conceito que pressupõe a limitação da liberdade de expressão e de imprensa. E isso levanta um problema de cultura democrática. A censura não se divide em antiga e moderna, é só censura. É por aí que querem ir?
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