Opinião
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Comecemos quase pelo fim: “A ponte continuava sempre firme e igual a si, com a eterna juventude da qual gozam as grandes e boas obras dos homens, que não sabem o que significa mudar e envelhecer e que, pelo menos assim parece, não partilham a sorte de todas as coisas passageiras deste mundo.” A ponte fica em Višegrad, na Bósnia-Herzegovina, e é um testemunho do tempo. Mesmo quando a cidade foi abandonada ou praticamente destruída, a ponte “erguia-se como condenada, mas ainda inteira e intacta, entre dois mundos em guerra”. Foi construída por ordem de um grão-vizir otomano de origem sérvia, Mehmed Pasha (1505-1579), casado com a princesa Ismihan, filha do sultão Selim II (de má fama por beber bastante) e neta de Solimão o Magnífico, o sultão dos sultões, o cimento fortíssimo do califado otomano que dominou metade da geografia humana conhecida. Mehmed Pasha tinha nascido perto de Višegrad, e ainda em criança levado à força para Constantinopla, onde seria educado com os janízaros, a força militar criada em 1365 por Murade I: jovens escravos cristãos, convertidos ao Islão e à cultura turca. Quando se tornou grão-vizir, ou seja, primeiro-ministro do império, mandou construir esta ponte sobre o rio Drina no local onde os turcos o terão separado da mãe. Não foi pacífica, a obra – uma intromissão otomana tanto quanto uma recordação da glória de Mehmed e da sua tristeza.
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