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Fiz três viagens com Agustina Bessa-Luís (idas a festivais literários, feiras do livro) e sempre me espantei com o à vontade daquela senhora aparentemente tímida, discreta como uma pequena nuvem, coquette, sorridente e perversa. Maravilhosa. Ouvi-la era sempre surpreendente: sobre meteorologia, pintura, um livro desconhecido, uma cidade histórica, a roupa de há trinta anos. Leio pela primeira vez ‘Embaixada a Calígula’ (Relógio d’Água), um livro de 1961. É o relato de uma viagem de carro (um VW dos anos cinquenta) através de Espanha, França e Itália, com encontros literários pelo meio. Ouve-os e comenta (era o tempo em que existiam Julián Marías, Cela, Duvignaud, Aranguren, gente séria). Agustina terá 37 anos na época e usa a linguagem de uma sábia, contempla a sombra de dois companheiros de viagem inesperados, Fílon de Alexandria e Calígula, escuta os sinais de um Ocidente que se despede depois de desistir de ser um Sísifo cansado. Nada lhe é estranho, mas mantém um distanciamento sublime. É um livro belíssimo.
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