O (perigoso) culto do ‘pôs-se a jeito’

Opinião Colunistas Sónia Dias

As forças de segurança registaram um aumento de 13,3% nas participações por violência doméstica entre abril e junho deste ano em Portugal, com mais de 7 800 casos, tendo sido assassinadas sete pessoas no mesmo período: cinco mulheres, uma criança e um homem. Uma subida de quase 2% em comparação com o período homólogo. No total dos seis meses já contabilizados, as estatísticas registam treze pessoas mortas. Entretanto, num universo paralelo que ignora completamente este cenário de terror - ou, melhor dizendo, num videocast chamado ‘The Leite Show’ - uma figura chamada Flávio Furtado conversa com a antiga modelo e apresentadora Liliana Aguiar sobre o episódio de violência doméstica que sofreu às mãos do marido, com quem se reconciliou, e diz isto: “Não se deve agredir ninguém, mas eu lembro-me que num dos vídeos que também me chegou às mãos tu estavas a picar, a picar, a picar... Parece que estavas a provocar para despertar alguma coisa na outra pessoa. Tu és tortinha?”. E assim se eterniza o culto do ‘pôs-se a jeito’, graças a pessoas que caladas seriam poetas e não percebem a gravidade dos disparates que dizem. Enfim, só à chapada!

Os 97 anos de Zeca Afonso

Opinião Colunistas

Uma mão girava devagar a antena do rádio, à procura de uma frequência que teimava e não chegava limpa. Depois de uns abanões, o ruído deu lugar ao som áspero de botas a marcharem sobre gravilha, um compasso seco, quase militar, que parecia sair do próprio chão. Só então entrou a voz. Era a de José Manuel Cerqueira Afonso dos Santos, que entoava ‘Grândola, Vila Morena’, e o soldado que segurava o aparelho percebeu de imediato o que aquilo significava. O ponteiro do relógio marcava 00h20 do dia 25 de abril de 1974, e aquela canção, que ficaria eternizada como hino revolucionário, dava o sinal que confirmava o avanço para a tomada dos centros de poder do Estado. Cerca de hora e meia antes, ‘E Depois do Adeus’, de Paulo de Carvalho, tinha avisado as tropas para se prepararem.

Portugueses sem multibanco

Opinião Colunistas José Jorge Letria

A falta de acesso de um crescente número de pessoas ao serviço multibanco em diversos pontos do país representa um agravamento objectivo das suas condições de vida, sobretudo quando têm a mobilidade condicionada por problemas de saúde ou pela inexistência de meios de transporte que lhes garantam a mobilidade desejada.

Seguro é como ele quer

Opinião Colunistas Pedro Santana Lopes

E não como outros querem que seja.

Icon alerta Registámos a sua denúncia!

A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.

Uma santa de altar

Opinião Colunistas A bem da noção

Cada vez mais, o algoritmo tudo sabe sobre nós. Em poucos segundos, tira-nos a ficha. Nada que não houvesse já em campanhas à americana. "Arranja-me aí uns podres sobre este gajo." Só que agora é mais fácil, mais rápido, mais limpinho. Está difícil evitar as teorias da conspiração, quando até os unicórnios parecem conspirar a nosso desfavor.

Zapping

Opinião Colunistas

Daniel Oliveira

Icon alerta Registámos a sua denúncia!

A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.

Energisa reverte lucro e registra prejuízo líquido consolidado de R$ 40 mi no 2º tri

Publicidade

O grupo Energisa (ENGI11) registrou no segundo trimestre deste ano prejuízo líquido consolidado de R$ 40 milhões, desempenho influenciado por eventos extraordinários, como o anúncio da venda, para a Taesa, de cinco transmissoras, com a consequente reclassificação contábil dos ativos. O montante reverte lucro consolidado de R$ 490 milhões em igual intervalo de 2025. O lucro líquido ajustado recorrente ficou em R$ 88 milhões, queda de 80% na mesma base de comparação, pressionado pelo aumento das despesas financeiras líquidas.