Opinião Colunistas Sónia Dias
As forças de segurança registaram um aumento de 13,3% nas participações por violência doméstica entre abril e junho deste ano em Portugal, com mais de 7 800 casos, tendo sido assassinadas sete pessoas no mesmo período: cinco mulheres, uma criança e um homem. Uma subida de quase 2% em comparação com o período homólogo. No total dos seis meses já contabilizados, as estatísticas registam treze pessoas mortas. Entretanto, num universo paralelo que ignora completamente este cenário de terror - ou, melhor dizendo, num videocast chamado ‘The Leite Show’ - uma figura chamada Flávio Furtado conversa com a antiga modelo e apresentadora Liliana Aguiar sobre o episódio de violência doméstica que sofreu às mãos do marido, com quem se reconciliou, e diz isto: “Não se deve agredir ninguém, mas eu lembro-me que num dos vídeos que também me chegou às mãos tu estavas a picar, a picar, a picar... Parece que estavas a provocar para despertar alguma coisa na outra pessoa. Tu és tortinha?”. E assim se eterniza o culto do ‘pôs-se a jeito’, graças a pessoas que caladas seriam poetas e não percebem a gravidade dos disparates que dizem. Enfim, só à chapada!
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